Governo avalia ampliar crédito para taxistas, motoristas de aplicativos e caminhoneiros
Pacote de medidas contra o endividamento das famílias e novas ofertas de crédito pode superar R$ 100 bilhões
247 - O governo federal articula ampliar o crédito para motoristas e caminhoneiros com um pacote que pode superar R$ 100 bilhões, incluindo financiamento de veículos e outras medidas para enfrentar o endividamento das famílias. De acordo com o jornal O Globo, a iniciativa vem sendo construída no Palácio do Planalto e ainda depende de acordo com a equipe econômica, responsável por avaliar os impactos fiscais e a viabilidade das propostas.
Crédito e renegociação de dívidas
O plano prevê a criação de linhas de crédito com juros abaixo dos praticados no mercado, voltadas a motoristas de aplicativo, taxistas e caminhoneiros. A ideia é facilitar a troca de veículos e reduzir o custo do endividamento nesses segmentos. Além disso, o pacote inclui um programa de renegociação de dívidas, com foco em débitos inadimplentes de até um ano ou na substituição de dívidas mais caras por alternativas com juros menores.
Uso do FGTS e medidas fiscais
Entre as alternativas em discussão está a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Uma das propostas prevê disponibilizar cerca de R$ 7 bilhões retidos pela Caixa em operações relacionadas ao saque-aniversário.
Outra medida avaliada envolve a liberação entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões para a quitação de dívidas mais onerosas, como as de cartão de crédito. O governo também analisou o uso de valores esquecidos em bancos, mas enfrenta dificuldades operacionais e legais.
Apoio a empresas e novos financiamentos
O pacote não se limita às pessoas físicas. Há propostas para estimular a renegociação de dívidas de pequenas empresas e a criação de uma nova linha de crédito para empresas de médio porte, com necessidade de cerca de R$ 2 bilhões para capitalizar o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), operado pelo BNDES. Também estão em avaliação financiamentos para aquisição de equipamentos agrícolas e a ampliação de linhas dentro do programa Minha Casa, Minha Vida.
Pressão política e desafios
O avanço das medidas ocorre em meio à preocupação do governo com o alto nível de endividamento das famílias e seus impactos na popularidade da gestão. O tema ganhou prioridade após reuniões recentes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros. Apesar disso, parte das propostas ainda está em estágio inicial, especialmente as novas linhas de crédito, que dependem de maior alinhamento com a equipe econômica.
Anúncio pode ser adiado
A expectativa inicial era de que o pacote fosse anunciado em abril, mas compromissos internacionais do presidente e de integrantes da equipe econômica devem adiar a divulgação para a segunda quinzena do mês.


