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Haddad defende fim da escala 6x1 e acusa extrema-direita de atacar direitos trabalhistas

Pré-candidato em São Paulo afirma que redução da jornada sem corte salarial é prioridade e critica articulações por impunidade no Congresso

Fernando Haddad (Foto: Reprodução Youtube)

247 – O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira (1º de maio) o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil, sem redução de salários, durante ato do Dia do Trabalhador. A proposta, segundo ele, já está em discussão no Congresso Nacional após amplo debate com a sociedade e representa uma forma de redistribuir os ganhos acumulados desde a Constituição de 1988.

Haddad afirmou que há uma “boa vontade da mesa da Câmara” para analisar a proposta do governo, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com a substituição da escala 6x1 pela 5x2. “Voltar ao tema da jornada de trabalho e socializar os ganhos desses 40 anos de Constituição, reduzindo a jornada de 44 por 40 horas semanais. O fim da jornada 6 por 1 e a adoção da jornada 5 por 2, sem redução de salário”, declarou.

O pré-candidato demonstrou confiança de que a proposta avance ainda em 2026, comparando-a a outras medidas implementadas recentemente. “Estou confiante que nós vamos conseguir entregar até o final do ano essa pauta, como fizemos com o salário mínimo no ano passado, a isenção do imposto de renda do ano passado”, disse.

Críticas ao Congresso e à impunidade

Ao comentar recentes derrotas do governo no Congresso, Haddad fez duras críticas ao que classificou como articulações em torno da impunidade. Para ele, os episódios não representam apenas disputas políticas, mas um problema institucional mais profundo.

“Eu acredito que essa derrota, essa dita derrota no Congresso, ela foi uma derrota do combate à corrupção”, afirmou.

Ele acrescentou que análises publicadas na imprensa indicam interesses ocultos por trás dessas movimentações. “Outros temas, outros assuntos, hoje eu mesmo estava vendo analistas políticos dizendo que por trás dessa derrota tinha uma pretensão de um grande acordo em torno da impunidade daqueles responsáveis por alguns escândalos recentes no Brasil”, disse.

Haddad ressaltou que a população espera responsabilização dos envolvidos em irregularidades. “Tudo o que as pessoas desse país desejam, os cidadãos comuns, é que as responsabilidades sejam todas elas apuradas até o fim”, completou.

Ataques à extrema-direita e defesa dos trabalhadores

Haddad também criticou duramente a agenda da extrema-direita, afirmando que os trabalhadores são os principais alvos desse campo político.

“O cidadão mais prejudicado pela pauta da extrema-direita é o trabalhador. O trabalhador é o alvo central. É quem eles visam retirar direitos imediatamente”, afirmou.

Ele citou declarações de lideranças oposicionistas como evidência de propostas que afetariam áreas sociais. “Como alvo é a saúde, educação, salário mínimo, imposto de renda. Continua sendo a conta tradicional deles”, disse.

Segundo Haddad, há um padrão recorrente nas disputas eleitorais. “Sempre que vem uma campanha, eles procuram omitir, eles procuram confundir a opinião pública, mas, no frigir dos ovos, o que está em jogo é sempre venda de patrimônio público de um lado e corte de direitos sociais de outro”, declarou.

Disputa eleitoral e articulação em São Paulo

Questionado sobre o cenário eleitoral, Haddad destacou a importância da mobilização social e da relação com sindicatos. Ele também comentou a formação de chapas para o Senado em São Paulo, com vários nomes competitivos no campo progressista.

“Nós vamos ter que conversar e vamos chegar a um denominador comum. Vai exigir alguma conversa para frente, mas nós estamos com um bom problema”, afirmou.

Haddad ressaltou a qualificação dos pré-candidatos. “Todo mundo aqui é ficha limpa, serviços prestados ao país, compromisso com a ética na política”, disse.

Ele enfatizou que a definição será construída de forma coletiva. “Não existe imposição. As pessoas estão se colocando também, têm o direito de ter suas pretensões”, afirmou.

Defesa de uma política sem ódio

Ao final, Haddad defendeu a retomada de um ambiente político mais civilizado no país.

“Nós queremos ver esse país voltar a sorrir, nós queremos deixar o ódio da política longe da política”, declarou.

Ele concluiu defendendo o foco em políticas públicas e no desenvolvimento nacional. “Queremos voltar a discutir política pública, queremos fazer política de cara limpa”, afirmou.

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