Haddad diz que governo Tarcísio é “um dos piores da história” de São Paulo e critica gestão econômica e social
Pré-candidato do PT afirma que estado perdeu dinamismo, acusa governador de falta de compromisso e promete rever contratos e políticas públicas
247 – O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, fez um duro diagnóstico da atual gestão estadual e classificou o governo de Tarcísio de Freitas como um dos mais fracos da história recente paulista. As declarações foram dadas em entrevista ao Metrópoles.
Logo no início da crítica, Haddad foi direto ao ponto: “Acho que desde o Fleury a gente não tem um governo tão ruim em São Paulo”. Para ele, o estado perdeu capacidade econômica, qualidade na gestão pública e protagonismo nacional.
Críticas à condução do estado
Haddad afirmou que Tarcísio governa sem vínculo real com São Paulo e sem conhecimento profundo da realidade local. Segundo ele, isso compromete decisões estratégicas em áreas essenciais.
“Ele nunca teve com a cabeça no estado de São Paulo. Então ele tava meio de passagem por aqui”, disse. O petista acrescentou que o governador “não conhece os talentos, não conhece as universidades públicas paulistas”.
Na avaliação de Haddad, essa desconexão impacta diretamente a qualidade das políticas públicas e a capacidade administrativa do estado.
Desempenho econômico abaixo do país
Um dos principais pontos de ataque foi o desempenho econômico paulista. Haddad destacou que o crescimento do estado ficou muito abaixo da média nacional.
“Sabe o quanto São Paulo cresceu o ano passado? 0,5%. O Brasil cresceu 2,3%”, afirmou.
Ele associou esse resultado à postura política do governador em relação ao cenário internacional, especialmente ao apoio às políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Ele apoiou o tarifaço do Trump… Em vez de se firmar, falou em ceder coisas estratégicas”, criticou.
Finanças e perda de capacidade do estado
Haddad também apontou problemas fiscais. Segundo ele, São Paulo perdeu capacidade de investimento, mesmo após medidas como privatizações e renegociação de dívidas.
“São Paulo tá sem caixa. Ele recebeu do governo anterior um volume de recursos em caixa e hoje não tem dinheiro”, disse.
O ex-ministro destacou que a renegociação da dívida com a União foi conduzida pelo governo federal e ajudou a aliviar a situação, mas não foi suficiente para garantir sustentabilidade financeira.
Privatizações e aumento de tarifas
Outro foco de crítica foi a venda da Sabesp. Haddad afirmou que a privatização não trouxe os benefícios prometidos à população.
“Ele falou que baixar o preço da água e aumentou”, disse. Segundo o pré-candidato, além do aumento de tarifas, há falta de transparência sobre o destino dos recursos obtidos com a venda.
“O dinheiro da Sabesp já era. Ninguém nem sabe onde foi parar”, afirmou.

Educação e serviços públicos
Na área educacional, Haddad acusou o governo estadual de retrocesso. Ele criticou cortes de recursos e mudanças no modelo pedagógico.
“São Paulo tá indo para trás na educação”, disse. Segundo ele, a substituição de materiais tradicionais por plataformas digitais e a redução de investimentos prejudicam o aprendizado.
O ex-ministro também criticou a expansão de escolas cívico-militares. “Não há nenhuma evidência empírica de que esse modelo seja melhor”, afirmou.
Segurança pública e desorganização institucional
Haddad apontou falhas na gestão da segurança pública, citando problemas na Polícia Militar e na Polícia Civil.
“Você muda a hierarquia, desorganiza a corporação e não cumpre as promessas”, disse.
Ele também mencionou investigações envolvendo integrantes da segurança pública e o crime organizado, criticando a condução política desses casos.
“Você descobre que o teu comandante tá sendo investigado e antes agradece pelos serviços prestados. Isso mostra o grau de desorganização”, afirmou.
Promessa de revisão e “passar a limpo”
Caso seja eleito, Haddad afirmou que pretende revisar contratos e investigar possíveis irregularidades no governo estadual.
“Cada contrato vai ser avaliado, revisto. Eu vou passar a limpo o estado de São Paulo”, declarou.
Ele citou sua experiência como prefeito da capital para justificar a promessa. “Eu desbaratei várias máfias na prefeitura e vou fazer o mesmo no estado”, disse.
Disputa política e cenário eleitoral
Haddad reconheceu que a eleição será difícil, mas afirmou que decidiu concorrer após ser convencido pelo presidente Lula sobre a situação do estado.
“O Lula me convenceu mostrando o governo Tarcísio em números”, afirmou.
Ele também defendeu a necessidade de enfrentar a extrema direita no estado e no país. “Hoje estamos nós de um lado e a extrema direita do outro”, disse.
Ao final, Haddad indicou que buscará ampliar alianças políticas. “Se eu puder ampliar, eu amplio. Essa é a hora de construir uma frente ampla”, concluiu.
Outro lado
Em nota, a Secretaria de Fazenda e Planejamento do Estado afirma que, ao contrário do afirmado na entrevista, "em 2022 as disponibilidades totais de caixa do governo do Estado somavam aproximadamente R$ 23 bilhões; em 2025, aproximadamente R$ 22 bilhões". Ainda segundo a pasta, "pelo resultado primário, São Paulo registrou superávits sucessivos acima das metas fixadas em lei: R$ 5,5 bilhões em 2023 (meta: R$ 2,4 bi), R$ 12,9 bilhões em 2024 (meta: R$ 3,9 bi) e R$ 8,5 bilhões em 2025 (meta: R$ 5,7 bi). O superávit de 2024 foi alcançado sem as receitas de privatizações de Sabesp e EMAE, que são classificadas como não primárias".
Em relação à adesão do Estado ao Propag, a secretaria afirma que, diante das dificuldades para aderir ao programa de renegociação de dívidas, o governo estadual acionou o Supremo Tribunal Federal, que impôs à União o dever de observar a Lei do Propag. "A Sefaz esclarece ainda que o Estado de São Paulo adotou as medidas necessárias para preservar o equilíbrio fiscal e fortalecer a gestão das contas públicas, conciliando responsabilidade fiscal, ampliação de investimentos e prestação de serviços à população", finaliza a nota.
Já a Secretaria da Educação nega a redução de investimentos e afirma que o orçamento previsto para a pasta neste ano "é de R$ 62,9 bilhões, um aumento de 11,3% em relação ao ano anterior". Ainda conforme a pasta, as plataformas digitais são utilizadas como "ferramentas complementares, alinhadas ao Currículo Paulista e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC)" e não substituem "materiais tradicionais, como livros físicos, nem o papel do professor".
Sobre o modelo de escolas cívico-militares, a secretaria afirma que "a implementação ocorreu de forma opcional e em diálogo com a comunidade escolar, respeitando a autonomia das unidades".
Também em nota, a Secretaria da Segurança Pública afrma que “os indicadores do 1º trimestre de 2026 apontam os menores índices de casos de homicídios dolosos, latrocínios, roubos em geral, roubos de veículo, roubos de carga e furtos de veículos, para o período, desde o início da série histórica. Além disso, desde 2025, os indicadores de roubo a banco permanecem zerados” .
O texto destaca ainda que desde 2023 “mais de 15 mil criminosos foram presos com o auxílio de ferramentas tecnológicas espalhadas por 205 municípios., além do reforço do efetivo, com mais de 15 mil policiais já incorporados às ruas, além de mais de 3,5 mil em formação e concursos em andamento".
Também em nota, a Secretaria de Meio Ambiente diz que tem acelerado os investimentos no acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto, “com a meta de antecipar a universalização em São Paulo em quatro anos".
O texto também defende a privatização da Sabesp ao afirmar que a companhia “cumpriu antecipadamente as metas de universalização do saneamento” e que a privatização da companhia "viabilizou a criação do Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (FAUSP), que recebeu recursos da venda das ações da Sabesp”, o que, segundo a pasta, “garante a modicidade tarifária num cenário de alto volume de investimentos, equilibrando a tarifa para os usuários.”


