Ibovespa renova recorde, supera 199 mil pontos e dólar cai abaixo de R$ 5
Ibovespa fecha no maior nível da história e dólar permanece abaixo de R$ 5 com melhora do humor externo e força dos bancos
247 - O Ibovespa renovou recorde, superou os 199 mil pontos ao longo do pregão e encerrou abaixo desse patamar, mas ainda no maior nível de fechamento da história, enquanto o dólar caiu abaixo de R$ 5 com apoio dos bancos e alívio global sobre o petróleo. O principal índice da Bolsa brasileira subiu 0,33% nesta terça-feira (14), aos 198.657,33 pontos, em sua 11ª alta seguida, depois de tocar a máxima histórica de 199.354,81 pontos durante a sessão.
Segundo o InfoMoney, o desempenho da Bolsa foi sustentado por uma combinação de fatores externos e domésticos, em um dia marcado pela queda do petróleo, recuo do dólar no mercado internacional e predominância de baixas nos juros futuros ao longo da curva. O fechamento desta terça também representou o quinto recorde consecutivo do índice e consolidou a maior sequência positiva desde as 15 altas entre 22 de outubro e 11 de novembro de 2025.
O movimento do mercado refletiu, sobretudo, a percepção de que ainda há espaço para avanço das negociações diplomáticas no Oriente Médio. Essa leitura melhorou o humor dos investidores no exterior e ajudou a impulsionar ativos de risco no Brasil. Em Wall Street, os principais índices encerraram a sessão em alta, com o Dow Jones avançando 0,66%, o S&P 500 subindo 1,18% e o Nasdaq ganhando 1,96%.
A perspectiva de uma possível retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã teve peso central nesse cenário. Em um dos trechos reproduzidos no material original, Ross Mayfield, estrategista da Baird, afirmou à CNBC: “Não quero descartar a possibilidade de uma nova escalada da guerra e mais quedas a partir daqui, mas acho improvável. Acredito que o mercado já esteja precificando certo nível de ansiedade em relação ao Irã”. Na mesma declaração, acrescentou: “Parece que estamos de volta perto das máximas históricas, com um cenário e incentivos de posicionamento muito mais claros, e logo após uma temporada de resultados que também deve impulsionar o otimismo”.
Na abertura, o mercado ainda operava sob cautela com os desdobramentos do conflito e com o bloqueio anunciado pelos Estados Unidos aos portos iranianos. Ao longo do dia, porém, prevaleceu a avaliação de que o ambiente seguia aberto tanto para uma escalada quanto para um acordo de curto prazo, hipótese que reduziu a aversão ao risco e favoreceu as bolsas globais.
O petróleo, que vinha pressionando os mercados nos últimos dias, perdeu força. Os contratos internacionais recuaram, o que ajudou a aliviar temores inflacionários e colaborou para a melhora do apetite por ações. Esse movimento também teve reflexo no ouro, que avançou em meio ao enfraquecimento do dólar no exterior, e nos juros, que terminaram a sessão com viés de queda na maior parte da curva.
No câmbio, o dólar comercial estendeu o movimento de baixa e encerrou o dia cotado a R$ 4,993 na venda, acumulando a quinta queda consecutiva frente ao real. A mínima da sessão foi de R$ 4,972, enquanto a máxima ficou em R$ 4,996. O índice DXY, que mede a força da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas fortes, caiu 0,24%, para 98,13 pontos.
Na renda variável brasileira, os grandes bancos tiveram papel decisivo para sustentar o índice. Banco do Brasil (BBAS3) subiu 2,55%, Bradesco (BBDC4) avançou 0,92%, Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,53% e Santander (SANB11) registrou alta de 0,12%. O desempenho do setor financeiro compensou parte da pressão negativa vinda das petroleiras.
Petrobras foi o principal destaque negativo do pregão. As ações preferenciais da estatal (PETR4) caíram 3,82%, enquanto PETR3 recuou 4,44%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. O papel também voltou a liderar a lista de ações mais negociadas do dia, com 91.805 negócios no caso de PETR4.
Além da pressão do petróleo, a estatal anunciou, junto com os parceiros do Consórcio de Libra, entre eles a Shell, investimento de cerca de US$ 450 milhões em um projeto de monitoramento sísmico voltado à maximização da recuperação de reservas na Bacia de Santos. Segundo a companhia, o projeto terá foco no campo de Mero, uma das principais áreas produtoras do país.
Entre os destaques de alta, a MBRF (MBRF3) avançou 4,14% após anunciar que obteve as aprovações necessárias para formar uma parceria com o fundo soberano da Arábia Saudita no Oriente Médio. A operação prepara o caminho para um futuro IPO da Sadia Halal, plataforma de produção e distribuição da companhia na região.
Outras ações também se sobressaíram no pregão. COGN3 liderou os ganhos do dia, com alta de 4,79%, seguida por RENT4, que subiu 4,67%, RENT3, com avanço de 4,47%, e RAIL3, que ganhou 4,19%. Do lado oposto, além de Petrobras, figuraram entre as maiores quedas BRKM5, PRIO3 e PSSA3.
No mercado doméstico, os dados econômicos vieram mistos. O volume de serviços no Brasil subiu 0,1% em fevereiro na comparação com janeiro, resultado abaixo das expectativas do mercado, e avançou 0,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Embora o setor tenha mantido crescimento, a leitura predominante foi de desaceleração da atividade, o que reforçou a percepção de um ritmo mais moderado para a economia brasileira em 2026.
O material também destacou que o governo anunciou novas ações para tentar mitigar os efeitos da alta dos combustíveis, em meio às tensões no Oriente Médio. Em Brasília, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o país trabalha para alcançar a autossuficiência na produção de óleo diesel, diante da dependência atual de cerca de 30% das importações.
No exterior, o noticiário seguiu concentrado nos impactos econômicos da guerra e na reação das principais autoridades monetárias e organismos multilaterais. O Fundo Monetário Internacional alertou para riscos maiores à estabilidade financeira global, com efeitos vindos da alta da energia, da inflação e do aperto das condições de crédito. Ainda assim, o mercado optou por se agarrar ao cenário de negociação, ainda que frágil.
Ao fim da sessão, o Ibovespa acumulava alta de 0,68% na semana, avanço de 5,97% em abril e valorização de 23,29% em 2026. O volume financeiro movimentado no pregão somou R$ 32,90 bilhões. Mesmo sem sustentar os 199 mil pontos até o fechamento, a Bolsa brasileira terminou o dia mais uma vez em território recorde, embalada pelo humor externo e pela força do setor bancário, enquanto o dólar voltou a perder o patamar de R$ 5.


