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Inflação nos EUA atinge maior nível em três anos

Índice PCE chegou a 3,8% em abril, maior alta desde maio de 2023, pressionado pela energia

Um carrinho de compras é visto em um supermercado enquanto a inflação afeta os preços ao consumidor em Manhattan, Nova York, EUA, em 10 de junho de 2022 (Foto: REUTERS/Andrew Kelly)
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247 - A inflação nos EUA voltou a ganhar força em abril e atingiu o maior nível em três anos, com o índice PCE chegando a 3,8% em 12 meses, pressionado pela alta da energia em meio à guerra com o Irã e reforçando a percepção de que o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) poderá manter os juros inalterados até o próximo ano.

De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (28) pelo Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o indicador preferido do Fed para acompanhar a inflação avançou em relação ao resultado de março, quando estava em 3,5%. Na comparação mensal, o PCE subiu 0,4% em abril, após alta de 0,7% no mês anterior.

Pressão da energia amplia alta dos preços.

A escalada dos preços foi impulsionada principalmente pelo encarecimento da energia. A guerra com o Irã afetou o transporte marítimo no estreito de Hormuz, elevou os custos energéticos e aumentou a pressão sobre as cadeias globais de fornecimento.

O conflito também provocou escassez em diferentes setores, atingindo mercadorias como fertilizantes, alumínio e bens de consumo. Esse cenário contribuiu para ampliar o impacto da inflação sobre consumidores e empresas nos Estados Unidos.

Segundo dados da Administração de Informações sobre Energia dos EUA, o preço médio nacional da gasolina no varejo subiu 12,3% em abril. Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, os preços da gasolina acumularam alta superior a 50%.

Consumidores enfrentam custos maiores.

Além dos combustíveis, os norte-americanos passaram a pagar mais por outros bens e serviços. A inflação já vinha em patamar elevado antes do agravamento do conflito, em grande parte devido às tarifas de importação adotadas pelo presidente Donald Trump.

O avanço dos preços aumentou a insatisfação da população com a condução da economia. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada mostrou que a aprovação de Trump caiu para perto do menor nível desde seu retorno à Casa Branca, em meio à redução do apoio entre eleitores republicanos.

Trump venceu a eleição presidencial de 2024 com a promessa de reduzir a inflação. A persistência da alta dos preços, no entanto, passou a representar um risco político para o Partido Republicano, que tenta preservar sua maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato marcadas para novembro.

Núcleo da inflação também avança.

Ao excluir os componentes mais voláteis de alimentos e energia, o núcleo do PCE subiu 3,3% em abril na comparação anual, ante 3,2% em março. Na base mensal, o núcleo da inflação avançou 0,2%, depois de ter registrado alta de 0,3% no mês anterior.

O Fed utiliza o PCE como principal referência para sua meta de inflação, definida em 2%. Com os preços ainda distantes desse objetivo, os mercados financeiros passaram a projetar que o banco central norte-americano manterá sua taxa de juros de referência na faixa entre 3,5% e 3,75% até 2027.

A leitura reforça o quadro de cautela na política monetária dos Estados Unidos, em um momento em que choques externos, pressões sobre energia e tarifas comerciais mantêm a inflação acima da meta perseguida pelo banco central.

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