Inflação projetada sobe para 4,1% e mercado prevê corte menor da Selic em 2026
Alta do petróleo e tensões no Oriente Médio elevam expectativas inflacionárias e levam economistas a revisar projeções para juros, dólar e crescimento
247 - Economistas do mercado financeiro elevaram a previsão para a inflação brasileira em 2026 e passaram a projetar uma redução menor da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A revisão aparece no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central e reflete o impacto das recentes tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre a economia global e os preços de commodities.
Segundo o levantamento semanal, que reúne estimativas de instituições financeiras, a expectativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 3,91% para 4,10%, alcançando o nível mais alto projetado neste ano. A marca supera o pico anterior de 4,06%, registrado no boletim de 5 de janeiro. Desde então, as projeções vinham em trajetória de queda até a semana passada, quando haviam atingido 3,91%.
Conflito no Oriente Médio pressiona preços do petróleo
A mudança nas projeções ocorre em meio à intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado há cerca de duas semanas. O cenário elevou o temor de impactos no abastecimento global de petróleo, levando o preço do barril a ultrapassar a marca de US$ 100 na semana passada.
A alta da commodity tem reflexos diretos sobre os combustíveis e, consequentemente, sobre os custos de transporte e produção. No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um pacote de medidas para tentar conter a escalada do diesel. Entre as ações estão a isenção de PIS e Cofins sobre o combustível, o pagamento de subvenções a produtores e importadores e a criação de um imposto sobre a exportação de petróleo.
No dia seguinte ao anúncio das medidas, a Petrobras informou um reajuste de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido em suas refinarias.
Impactos na cadeia produtiva
O aumento no preço do diesel tende a afetar o custo do transporte rodoviário de cargas, principal modal logístico do país. Esse encarecimento pode se espalhar por diferentes setores da economia, pressionando os preços de produtos e serviços ao longo da cadeia produtiva.
Diante desse cenário, os analistas também revisaram suas expectativas para a decisão do Copom desta semana. A reunião do comitê começa nesta terça-feira (17), e agora o mercado projeta que a Selic será reduzida de 15% para 14,75%.
Na semana anterior, a estimativa predominante apontava para um corte mais acentuado, que levaria a taxa básica para 14,5%. Uma redução menor dos juros é vista como forma de evitar pressões adicionais sobre a inflação.
Revisões para juros, PIB e dólar
Além das projeções para a reunião imediata do Copom, o boletim Focus também trouxe alterações nas expectativas para o restante do ano.
A estimativa para a taxa Selic ao final de 2026 subiu de 12,13% para 12,25%. Já a previsão de crescimento da economia brasileira teve leve ajuste para cima: o PIB (Produto Interno Bruto) passou de uma projeção de expansão de 1,82% para 1,83%.
No mercado cambial, a expectativa para o dólar registrou pequena queda. A projeção para a moeda norte-americana ao fim do ano recuou de R$ 5,41 para R$ 5,40, segundo o relatório divulgado pelo Banco Central.


