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Investidor asiático ignora cenário eleitoral e vê Brasil como destino "extremamente positivo" para capital

Gestores destacam liquidez e preços baixos de ações brasileiras em meio a novo recorde do Ibovespa, que ultrapassa os 189 mil pontos em 2026

Painel de cotações na B3, em São Paulo 19/10/2021 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 – O Ibovespa consolidou sua trajetória histórica em 2026, atingindo o patamar inédito de 189 mil pontos nesta quarta-feira. O movimento é impulsionado por um fluxo contínuo de capital estrangeiro, com destaque para investidores asiáticos que mantêm uma visão otimista sobre o mercado local. Segundo informações publicadas originalmente pelo InfoMoney, analistas do Bradesco BBI apontam que o sentimento desses gestores em relação às ações e à economia brasileira é "extremamente positivo".

A atratividade do Brasil para o capital do Oriente baseia-se em um tripé fundamental: a alta liquidez do mercado doméstico, o valuation (avaliação de preço) ainda considerado descontado frente a outros emergentes e uma rotação global de portfólios, que agora favorece ativos de "valor" em detrimento de "crescimento".

Eleições e risco político sob controle

Diferente de ciclos anteriores, o cenário eleitoral de 2026 não parece intimidar os grandes fundos da Ásia. De acordo com o levantamento do Bradesco BBI, os gestores consideram o risco político brasileiro "gerenciável". A percepção é de que a tese de investimento permanece sólida independentemente do resultado nas urnas, com alguns investidores classificando o caso brasileiro como "bom ou muito bom" sob quase qualquer desfecho eleitoral.

No plano internacional, o otimismo é monitorado com cautela diante das políticas comerciais de Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos. Embora as tarifas impostas pela administração Trump gerem incertezas globais, o diferencial de juros e a perspectiva de queda na taxa Selic no Brasil (projetada entre 250 a 400 pontos-base para este ano) servem como um amortecedor para o apetite por risco em mercados emergentes.

As 8 ações que dominam o interesse asiático

Durante as reuniões com analistas, oito companhias brasileiras foram citadas como as preferidas para compor os portfólios asiáticos. O foco recai sobre empresas com crescimento resiliente e governança sólida:

  1. Mercado Livre (MELI34): Citada pela capacidade de manter performance em diferentes ciclos econômicos.
  2. Nubank (NUBR33): Visto como um nome de qualidade sustentável no setor financeiro digital.
  3. Raia Drogasil (RADL3): Considerada resiliente e capaz de navegar por diversos cenários macroeconômicos.
  4. Sabesp (SBSP3): Desperta interesse como uma tese de reprecificação de longo prazo devido a melhorias operacionais.
  5. Banco do Brasil (BBAS3): Descrito como um ativo "muito barato para ignorar" em um horizonte de cinco anos, apesar da menor visibilidade no crédito rural no curto prazo.
  6. Vamos (VAMO3): Reconhecida pela qualidade de seu modelo de negócio.
  7. Hypera (HYPE3): Citada como uma história familiar de solidez no setor farmacêutico.
  8. XP (XPBR31): Mantém-se no radar como um nome de referência no mercado de capitais brasileiro.

Perspectivas e riscos externos

Apesar do cenário doméstico favorável, os investidores asiáticos alertam para riscos exógenos. O principal temor reside em uma possível reversão da tendência de dólar fraco, o que poderia restringir o fluxo para emergentes. Contudo, enquanto o cenário global permanecer estável, a crença em um ciclo agressivo de corte de juros no Brasil continua a sustentar o Ibovespa em níveis recordes.

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