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Jerome Cadier, CEO da Latam Brazil: "setor aéreo demanda um plano de longo prazo para democratizar o acesso aos voos comerciais"

Painel sobre potenciais e gargalos do setor aéreo nacional forma consenso em torno de soluções estruturadas em lugar de saídas imediatistas

Jerome Cadier, CEO da Latam Brazil (Foto: Brasil 247)
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Marco Damiani, especial para o 247 - Um plano com medidas de longo prazo, estabelecido pelo governo, legisladores e empresas do setor aéreo teria o condão de ampliar o acesso da população brasileira aos voos comerciais. Como alternativa a arranjos imediatistas que não perduram, esse documento regulador enfrentaria questões atualmente não solucionadas de tributação, legislação e judicialização. O esforço de reorganização teria em mira, ainda, avanços em infraestrutura e abertura de gargalos que hoje impedem reduções nos preços das passagens aéreas e na diminuição de tarifas aeroportuárias.

Defendida pelo CEO da Latam Brazil, Jerome Cadier, essa posição formou um consenso entre os participantes do painel 'Transformando o potencial da aviação do Brasil em realidade', realizado na tarde deste domingo (7), no contexto da assembleia geral anual da IATA - International Air Transport Association -, no Rio de Janeiro. Ao lado do líder da companhia anfitriã e organizadora do evento estiveram Fábio Rogério Carvalho, CEO da ABR Aeroportos do Brasil, Jeanine Pires, diretora da Pires Inteligência em Turismo, e Mariana Aldrigui, pesquisadora da Universidade de São Paulo.

"O período eleitoral é bastante propício para envolvermos os candidatos a cargos políticos a favor deste rebalanceamento do setor aéreo nacional", afirmou Carvalho. A ABR representa 13 concessionários de 59 aeroportos brasileiros, nos quais circulam 93% do tráfego nacional de passageiros e 99% do transporte de cargas. "Apoiamos fortemente essa agenda, que ganhará mais força à medida que mais empresas do setor se envolvam."

Os números mostram, com efeito, que o setor aéreo demanda, para crescer, uma elaboração estruturada. "O Brasil tem uma população de mais de 200 milhões de pessoas, mas o volume de passageiros em voos comerciais é de 20 milhões", lembrou Cadier durante o debate. "É muito pouco, mas mostra o quanto é grande o potencial para o desenvolvimento do mercado brasileiro de aviação."

As empresas do setor de turismo são, desde logo, um dos pilares de colaboração com o plano de decolagem do setor aéreo. "É preciso haver união em torno dessa ideia", destacou a operadora Jeanine, da Pires Inteligência em Turismo. "Uma dificuldade é o perfil do nosso segmento, muito fragmentado entre pequenas empresas. Mas a conscientização de que é preciso uma ação em conjunto está crescendo."

Para a pesquisadora Mariana Aldrigui, da USP, um bom caminho é municiar autoridades e legisladores de informações concretas sobre o setor aéreo, de modo a desincentivar soluções populistas, não estruturantes. "Os políticos trabalham muito de acordo com interesses imediatistas. Essa dinâmica precisa mudar", acentuou. A questão da cobrança por bagagens nos voos comerciais foi usada como exemplo de medida que entrou, saiu e voltou a ser válida, causando insegurança jurídica às companhias e confusão entre os usuários.

Durante o debate, destacou-se a informação de que, nos últimos 20 anos, o Brasil teve 23 ministros de Turismo e três pedidos de recuperação judicial feitos pelas três maiores companhias aéreas do país. "São fatos que demonstram a necessidade de um plano geral para o setor", ressaltou o CEO da Latam Brazil.

Em sua palavra de encerramento, Jerome Cadier demonstrou otimismo. "A mensagem que deve prevalecer é positiva, uma vez que o Brasil tem todas as condições para ampliar a quantidade de passageiros em voos comerciais domésticos e internacionais", afirmou. "Para isso, basicamente, os preços das passagens aéreas precisam ser reduzidos, o que demanda um debate ampliado em torno de um plano de longo prazo."

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