Liquidante do Banco Master busca R$ 4,8 bilhões ligados a Vorcaro
Ação judicial aponta indícios de desvio bilionário e mira imóveis, empresas e fundos ligados ao banqueiro investigado
247 - O liquidante do Banco Master move uma ofensiva judicial para resguardar ao menos R$ 4,8 bilhões em bens e ativos financeiros associados ao banqueiro Daniel Vorcaro, suspeitos de terem sido desviados antes da liquidação da instituição, determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado. A medida busca proteger credores e impedir a eventual dissipação do patrimônio em meio às investigações sobre o colapso do banco, informa o Metrópoles.
A ação foi apresentada na 3ª Vara de Falências da Justiça de São Paulo e lista imóveis, empresas e fundos de investimento ligados direta ou indiretamente a Vorcaro e ao seu cunhado, Fabiano Zettel, considerado pela Polícia Federal como operador financeiro do grupo.
Justiça identifica indícios de desvio bilionário
Em decisão recente, o juiz Adler Batista Oliveira Nobre reconheceu a existência de indícios de desvio de recursos do Banco Master antes da liquidação. Com base nisso, autorizou o protesto contra a alienação de 19 imóveis, 13 empresas e três fundos de investimento.
Na prática, a medida serve para dar publicidade aos ativos envolvidos e alertar potenciais compradores de que eventuais negociações podem ser consideradas inválidas. A estratégia visa evitar que bens ligados ao caso sejam transferidos a terceiros durante o andamento das investigações.
O valor de R$ 4,8 bilhões foi estimado a partir da soma de ativos citados na ação, incluindo imóveis, participações societárias e aplicações financeiras. Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro informou que não se manifestaria.
Imóveis de alto padrão entram na mira
Entre os bens listados, destacam-se propriedades de alto valor. Uma mansão em Brasília, avaliada em R$ 36 milhões, está registrada em nome da empresa Super Empreendimentos, ligada a Fabiano Zettel, segundo a Polícia Federal.
Também consta uma cobertura duplex no Jardim Paulista, em São Paulo, estimada em R$ 30 milhões, além de outro imóvel duplex na Vila Nova Conceição, avaliado em R$ 3,2 milhões. Um apartamento de luxo na avenida Presidente Juscelino Kubitschek, avaliado em R$ 4,3 milhões, também aparece na lista.
Somados, esses quatro imóveis atingem cerca de R$ 73 milhões. Há ainda outras 15 propriedades sem valores detalhados no processo. Fora do país, a ação menciona uma mansão em Orlando, estimada em R$ 180 milhões.
Fundos e operações financeiras sob investigação
O processo também detalha movimentações relevantes entre fundos de investimento, com destaque para o fundo Astralo 95, vinculado ao grupo de Vorcaro. Entre as operações citadas, está a venda de cotas do fundo Hans II por R$ 294 milhões ao fundo Itabuna, cujo único cotista seria o Astralo.
Segundo a ação, essas cotas haviam sido adquiridas por apenas R$ 2,5 milhões, o que indicaria um ganho de R$ 292 milhões — equivalente a uma valorização de 11.400%.
As investigações também apontam um possível “mecanismo sistemático de desvio de recursos” entre fundos controlados pelo grupo. O fundo Máxima 2, por exemplo, teria transferido cerca de R$ 285 milhões.
Outros valores relevantes incluem participações de R$ 458 milhões no fundo Termópilas e R$ 2,1 bilhões no fundo Rio Vermelho, que possui ligação com uma empresa do setor de aviação.
Ganhos elevados e movimentações patrimoniais
Documentos analisados indicam ainda ganhos expressivos de capital. Em um dos casos, o valor devido de imposto de renda seria de R$ 200 milhões, o que sugere rendimentos de aproximadamente R$ 800 milhões apenas em 2023.
O processo também menciona a venda do Hotel Botanique, em Campos do Jordão, por R$ 150 milhões, além de negociações envolvendo um jato Gulfstream G700, avaliado em cerca de US$ 80 milhões, e imóveis no exterior.
Crise do Banco Master e investigações
A liquidação do Banco Master ocorreu em meio a uma crise de liquidez e a um escândalo envolvendo a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Estima-se que o rombo causado pelo banco ultrapasse R$ 50 bilhões, impactando investidores e o sistema financeiro.
Parte dos prejuízos foi coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores com aplicações de até R$ 250 mil.
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Daniel Vorcaro por suspeitas de crimes financeiros. Após um período inicial de detenção, o banqueiro foi solto com uso de tornozeleira eletrônica, mas voltou a ser preso preventivamente em março, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.


