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Novo ministro da Fazenda redefine equipe e troca comando do Tesouro

Dario Durigan escolhe Rogério Ceron como secretário-executivo e nomeia Daniel Leal para o Tesouro

Secretário do Tesouro, Rogério Ceron 03/07/2025 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta segunda-feira (23) mudanças na cúpula da equipe econômica do governo federal. Ele escolheu o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, para assumir o cargo de secretário-executivo da pasta, enquanto o subsecretário da dívida pública, Daniel Leal, foi indicado para comandar o Tesouro Nacional.

Em publicação na rede social X, Durigan destacou a atuação de Ceron à frente do Tesouro, afirmando que seu trabalho foi “fundamental para avançarmos com nossa agenda nos últimos anos” e expressando confiança na sua capacidade de entrega.

Trajetória de Ceron e desafios fiscais

Rogério Ceron está à frente do Tesouro Nacional desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2023. Durante esse período, teve papel central na formulação e negociação do novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos criado no governo Michel Temer (MDB) por um sistema baseado em metas.

Sua gestão foi marcada por momentos de instabilidade e questionamentos por parte do mercado financeiro sobre a condução das contas públicas. Esse cenário levou o Tesouro a oferecer taxas mais elevadas para atrair investidores na compra de títulos públicos.

Ao mesmo tempo, cresceu a dependência de títulos indexados à taxa Selic, que atualmente representam cerca de metade da dívida pública. Esse modelo contribui para o aumento dos gastos com juros em períodos de alta da taxa básica definida pelo Banco Central.

Crescimento da dívida e alertas sobre despesas

Os dados mais recentes indicam que a dívida pública brasileira passou de 71,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro de 2023 para 78,7% em janeiro deste ano. Projeções do próprio Tesouro apontam para a continuidade dessa trajetória de alta nos próximos anos.

Embora tenha defendido o arcabouço fiscal vigente, Ceron também tem alertado publicamente para a necessidade de controlar despesas obrigatórias. Entre as principais preocupações estão os gastos com previdência e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que pressionam o orçamento federal.

Iniciativas e inovação no Tesouro

Durante sua passagem pelo Tesouro, Ceron também liderou iniciativas voltadas à sustentabilidade e à atração de investimentos estrangeiros. Entre elas, a emissão de títulos públicos vinculados a compromissos sociais e ambientais, além de programas que oferecem crédito e proteção cambial para investidores.

Outra frente de atuação foi a ampliação do Tesouro Direto, com o lançamento de títulos voltados a objetivos específicos, como o financiamento da educação de jovens e a formação de poupança para aposentadoria.

Perfil dos novos nomes

Servidor público de carreira, Ceron é doutor em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e já ocupou cargos nas administrações municipal e estadual de São Paulo. Atualmente, também preside o conselho de administração da Caixa Econômica Federal.

Já Daniel Leal, que assume o comando do Tesouro, é formado em engenharia mecânica pela Universidade de Brasília (UnB) e possui MBA em Finanças pelo Ibmec. No órgão, construiu carreira em funções técnicas, incluindo cargos de gerente e coordenador de operações da dívida pública.

Mudança no comando da Fazenda

A reestruturação ocorre após a saída de Fernando Haddad (PT) do Ministério da Fazenda. O ex-ministro deixou o cargo na semana passada para disputar o governo do Estado de São Paulo pelo PT nas eleições deste ano, abrindo espaço para a nova equipe liderada por Durigan.

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