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Novo recorde do Ibovespa confirma bom momento da economia brasileira

Bolsa sobe 1,35%, reforçando leitura de atividade resiliente

Painel de cotações na B3, em São Paulo 19/10/2021 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 – O Ibovespa voltou a subir nesta quinta-feira (19) após três sessões consecutivas de queda e avançou 1,35%, encerrando aos 188.534,42 pontos, alta de 2.518,11 pontos. O patamar reforça a percepção de um mercado doméstico aquecido e sustentado por fundamentos, em um movimento que mantém o índice muito próximo do maior fechamento já registrado, ocorrido em 11 de fevereiro, quando chegou a 189.699,12 pontos.

As informações são do InfoMoney, em cobertura ao vivo do pregão. Além da bolsa, o câmbio também teve desempenho favorável: o dólar comercial recuou 0,25% e fechou a R$ 5,227. Já os juros futuros (DIs) subiram ao longo de toda a curva, refletindo o debate permanente sobre o custo do dinheiro e seus efeitos sobre o ritmo da atividade. O volume financeiro do dia chegou a R$ 29,10 bilhões, com máxima em 188.687,12 e mínima em 185.927,99 pontos.

Petrobras reage ao petróleo e puxa o índice para cima

Entre os principais vetores do pregão, o avanço do petróleo no mercado internacional — que subiu mais de 2% em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã — impulsionou as petroleiras brasileiras. Petrobras acompanhou o movimento e ajudou a empurrar o Ibovespa, com PETR4 encerrando o dia em alta de 1,67%, enquanto outras empresas do setor também se beneficiaram do cenário, como PRIO3, que avançou 2,14%.

O noticiário internacional adicionou volatilidade e elevou a cautela em parte dos mercados, mas, no Brasil, o efeito foi canalizado sobretudo para o preço do petróleo e, por consequência, para as ações ligadas ao setor energético, que têm peso decisivo na composição do índice.

Bancos sobem forte e fluxo estrangeiro reforça a alta

Outro pilar da recuperação foi a alta dos bancos, que responderam com força em um dia de valorização das principais blue chips. Banco do Brasil avançou 2,48%, Bradesco subiu 2,01%, Itaú Unibanco ganhou 1,17% e Santander fechou com alta de 1,28%. A B3 também registrou desempenho positivo, subindo 0,80%, em um pregão de grande liquidez.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, apontou o papel do investidor estrangeiro como elemento central dessa dinâmica: “O fluxo estrangeiro é forte, beneficiando sobretudo a Petrobras, que surfa a alta nas cotações do petróleo e os bancos, além de outras bluechips, que formam a preferência dos investidores institucionais do exterior”, afirmou.

No mesmo movimento, a Vale conseguiu virar para o positivo no fim do pregão e fechou com leve alta de 0,20%, após ter recuado com intensidade na sessão anterior. A reversão reforçou o caráter amplo do avanço, com grande parte do índice operando no azul.

IBC-Br surpreende e reforça leitura de atividade resiliente

No plano doméstico, o mercado também reagiu ao IBC-Br de dezembro, indicador frequentemente tratado como uma “prévia do PIB”. O índice apontou queda de 0,2% na comparação mensal, um recuo mais brando do que o esperado por parte do mercado, ajudando a sustentar a leitura de que a economia brasileira mantém fôlego mesmo sob condições financeiras restritivas.

Rodolfo Margato, economista da XP, destacou que os sinais no fim do ano passado foram “predominantemente positivos” no quarto trimestre. Já Leonardo Costa, economista do ASA, avaliou que a composição dos dados sugere “perda de tração” em segmentos mais ligados a consumo e renda, “em linha com as condições financeiras mais restritivas”. Ainda assim, o resultado serviu como combustível adicional para a bolsa, ao reforçar a visão de resiliência da atividade.

Exterior em alerta e agenda econômica mantém pressão

Apesar do bom humor em São Paulo, o dia foi mais cauteloso em Wall Street, onde os principais índices recuaram diante do risco geopolítico e da expectativa por novos dados econômicos. O mercado acompanha de perto a divulgação do PCE, índice de preços de consumo pessoal, considerado referência para o Federal Reserve na calibragem da política monetária.

Mesmo com esse pano de fundo externo mais tenso, o pregão brasileiro terminou com sinais claros de apetite por risco e de valorização dos principais ativos. A combinação entre petróleo em alta, bancos fortes, dólar em queda e um dado doméstico acima do esperado consolidou um fechamento robusto, que mantém o Ibovespa perto das máximas e reforça a narrativa de um ciclo positivo no início de 2026.

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