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"O problema da dívida tem a ver com o juro real", afirma Haddad

Ministro diz que nível dos juros pressiona o endividamento

Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/MF)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), atribuiu o crescimento da dívida pública brasileira ao patamar elevado do juro real da economia. Segundo ele, a dinâmica do endividamento está diretamente relacionada ao custo efetivo dos juros, descontada a inflação, em um contexto em que a taxa básica permanece elevada. Atualmente, a dívida pública está em torno de 79% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em entrevista ao UOL, Haddad foi categórico ao tratar do tema. “O problema da dívida tem a ver com o juro real”, afirmou o ministro, ao comentar o cenário fiscal do país. Ele destacou ainda que a equipe econômica tem elevado o nível das exigências no debate público e se colocou aberto ao diálogo com ex-titulares da pasta. “Estamos subindo o sarrafo das exigências”, disse. Em seguida, reforçou: “Estou disponível para conversar”.

Durante a entrevista, Haddad explicou que os juros da economia brasileira estão hoje em 15% ao ano e lembrou que o juro real corresponde à taxa descontada da inflação do período, fator que, segundo ele, tem impacto direto sobre a trajetória da dívida pública.

O ministro também avaliou o peso da economia nos processos eleitorais ao redor do mundo. Para Haddad, embora o tema seja relevante, não necessariamente define o resultado das disputas presidenciais. “A economia no mundo inteiro está sendo um elemento muito importante, mas não necessariamente decisivo para ganhar ou perder uma eleição”, afirmou.

Ao tratar do cenário nacional, Haddad observou que a preocupação da população com a situação econômica perdeu espaço entre os principais temores dos brasileiros. Ele citou dados do Datafolha que indicam queda significativa nesse indicador. “Nós estamos falando que um a cada 10 considera a economia o principal problema”, disse, ao lembrar que o percentual caiu de 22% para 11% entre abril e dezembro.

Segundo o ministro, outros temas passaram a ocupar posições mais altas no ranking de preocupações da sociedade, como segurança pública e combate à corrupção. Nesse contexto, Haddad avaliou que a economia, isoladamente, não tende a ser determinante para o destino político do governo. “Então, isso para dizer que eu não acredito que a economia vai derrotar o governo e pode ser que não eleja o governo”, concluiu.

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