Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz e ultimato dos EUA
Preço do petróleo avança diante do ultimato dos EUA ao Irã sobre o Estreito de Ormuz, com impacto nos mercados globais e risco de escalada do conflito
247 - O preço do petróleo registra alta nesta terça-feira (7) em meio ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar intensificar ataques contra o Irã caso a rota marítima não seja reaberta. A valorização reflete a cautela dos investidores diante do risco de interrupção no fluxo global de energia.
O barril do Brent, referência global, passou a ser negociado com alta de 0,3%, acima de US$ 110. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, seguiu trajetória semelhante, sendo cotado a cerca de US$ 113 o barril.
A escalada de tensão ocorre após Trump emitir, no domingo (5), um ultimato ao governo iraniano. O presidente norte-americano afirmou que poderá atingir infraestruturas estratégicas do país, como usinas de energia e pontes, caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto até a noite desta terça-feira. A ameaça marca uma mudança de postura, já que anteriormente havia sinais de disposição para encerrar o conflito mesmo sem a retomada do tráfego marítimo na região.
Do lado iraniano, o tom segue firme. Autoridades do país mantêm postura de resistência, e um ministro chegou a convocar jovens a formarem correntes humanas em torno de instalações energéticas, em uma demonstração de mobilização interna diante da pressão externa.
Enquanto isso, esforços diplomáticos tentam conter a crise. O Paquistão tem atuado como mediador em possíveis negociações de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, dialogando com líderes de outros países da região na tentativa de reduzir a escalada do conflito.
Os mercados financeiros globais reagiram de forma mista ao cenário. Investidores passaram a ponderar entre o risco de agravamento da guerra e a possibilidade de uma solução negociada. Na Ásia, a maioria das bolsas registrou leves altas, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, fechou em queda moderada. Na Europa, os principais índices operaram em alta durante a manhã, ao passo que os futuros de ações nos Estados Unidos indicavam abertura mais fraca.
Para analistas, o cenário aponta para uma estratégia política calculada por parte da Casa Branca. Mohit Kumar, economista-chefe da Jefferies para a Europa, avaliou que Trump tende a buscar uma saída do conflito sem desgaste político interno, mantendo a narrativa de vitória. Segundo ele, uma intensificação no curto prazo é “muito provável”, mas com foco em obter vantagem nas negociações, e não necessariamente em prolongar a guerra.


