PIB deve registrar alta de 1,8% em 2026, apontam bancos e consultorias
Mercado projeta crescimento menor após aperto monetário, mas vê risco de alta com estímulos fiscais, crédito e isenção maior do Imposto de Renda
247 – O Brasil deve encerrar 2025 com um Produto Interno Bruto (PIB) praticamente estagnado no último trimestre e com desaceleração relevante ao longo do ano, reflexo direto de uma política monetária contracionista, ainda que a economia tenha demonstrado resiliência. A avaliação, compartilhada por instituições financeiras e consultorias, é que esse movimento tende a se prolongar em 2026, com crescimento menor — embora medidas expansionistas associadas ao calendário eleitoral possam elevar as projeções ao longo do ano.
As estimativas reunidas pelo Valor Econômico indicam que o PIB deve ter crescido 2,2% em 2025 e pode desacelerar para 1,8% em 2026, segundo a mediana das projeções de 74 instituições ouvidas até 19 de dezembro. As projeções para 2025 variam de 2% a 2,6%, enquanto as de 2026 oscilam entre 1,3% e 2,5%. Os números oficiais do PIB de 2025 serão divulgados pelo IBGE em 7 de março.
Caso a mediana de 2025 se confirme, o desempenho será o mais fraco desde 2020, quando o país sofreu retração de 3,3% com o choque da pandemia. Desde então, o Brasil vinha acumulando taxas mais robustas — incluindo a alta de 3,4% em 2024.
Selic elevada e inflação pressionada explicam a perda de fôlego
Para Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, o início de 2025 foi marcado por um ambiente adverso, com inflação acima do teto da meta, mercado de trabalho apertado, deterioração cambial no fim do ano anterior e dúvidas sobre a sustentabilidade do ajuste fiscal.
“A economia brasileira carregava os efeitos de um crescimento surpreendentemente forte em 2024, combinado com inflação acima do teto da meta, mercado de trabalho extremamente apertado, forte deterioração cambial no final do ano anterior e dúvidas relevantes sobre a sustentabilidade do ajuste fiscal. Esse conjunto de fatores levou o Banco Central a manter uma postura claramente contracionista, com a Selic caminhando para um patamar significativamente restritivo de 15% ao ano”, afirma Mansueto em relatório.
Segundo ele, a leitura dominante era de que a desaceleração seria inevitável, impulsionada pelo aperto monetário, pelo alto endividamento das famílias e pela perda de poder de compra causada pela inflação de alimentos e serviços. Mesmo assim, os dados iniciais apresentaram sinais mistos.
“Ao longo do ano, esse quadro foi se transformando de maneira gradual, porém consistente. A atividade econômica passou a dar sinais mais claros de moderação, especialmente nos componentes mais sensíveis ao ciclo de juros. No fechamento de 2025, os dados do PIB mostram uma economia que desacelerou de forma relevante na margem, com crescimento cada vez mais concentrado em setores exógenos, como agropecuária e extração mineral, enquanto serviços e consumo das famílias perderam tração”, diz.
Revisões do IBGE e surpresas no agro alteraram previsões no fim de 2025
O mercado também teve de recalibrar suas estimativas em razão de ajustes técnicos feitos pelo IBGE na série do PIB, incluindo revisões para cima na agropecuária. Esse movimento impactou projeções no final do ano sem necessariamente significar mudança na avaliação estrutural dos analistas sobre o ritmo da economia.
No Bradesco, a equipe liderada por Fernando Honorato afirma que os sinais de desaceleração seguem fortes, com consumo das famílias e demanda privada respondendo ao ambiente monetário restritivo. Ainda assim, grandes instituições revisaram suas projeções para cima no fim de 2025. O Itaú Unibanco elevou sua estimativa para 2,3% (de 2,2%) e Bradesco, BTG Pactual, Santander e Daycoval passaram a projetar 2,2% (de 2%). No caso do Itaú, a revisão foi influenciada pela elevação da estimativa do PIB agropecuário em 2025 para 11%, ante 8,3%.



