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Pix preocupa Trump por ameaçar hegemonia do dólar, avalia governo

Integrantes do governo veem preocupação dos EUA com pagamentos sem dólar e fora do sistema SWIFT

Donald Trump e Pix (Foto: Reuters/ Marcello Casal Jr. - Agência Brasil / IA Dall-E)
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247 - A preocupação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o Pix vai além da defesa dos interesses das empresas estadunidenses de meios de pagamento. A avaliação predominante dentro do governo brasileiro é que Washington enxerga o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central como uma ferramenta capaz de reduzir a dependência internacional do dólar.

Segundo a CNN Brasil, integrantes do governo acreditam que a principal inquietação da Casa Branca está relacionada ao potencial do Pix para facilitar transações comerciais entre países sem a necessidade de conversão prévia para a moeda estadunidense.

Pix e a disputa pelo papel do dólar

Atualmente, operações comerciais entre países costumam passar pelo dólar antes da conversão para as moedas locais. Em negociações entre parceiros como Brasil e Argentina, por exemplo, a moeda estadunidense funciona como intermediária obrigatória em grande parte das transações.

Na avaliação de fontes do governo brasileiro, a expansão internacional do Pix poderia abrir caminho para um modelo alternativo, reduzindo a centralidade do dólar em determinadas operações comerciais. Esse cenário é visto por autoridades brasileiras como um dos principais fatores por trás da crescente atenção dos Estados Unidos ao sistema de pagamentos desenvolvido no Brasil.

Temor de concorrência ao SWIFT

Outra preocupação atribuída ao governo dos EUA envolve a possibilidade de o Pix evoluir para uma alternativa ao SWIFT, principal rede global utilizada para transferências financeiras internacionais.

O sistema desempenha papel estratégico na arquitetura financeira mundial e confere aos Estados Unidos uma importante ferramenta de influência geopolítica. Um dos exemplos frequentemente citados é a exclusão da Rússia do SWIFT como parte das sanções impostas ao país.

Segundo a avaliação de integrantes do governo brasileiro, o fortalecimento de alternativas ao sistema poderia reduzir a capacidade de Washington de exercer esse tipo de pressão econômica em âmbito internacional.

A rapidez das operações realizadas pelo Pix é apontada como uma de suas principais vantagens. Enquanto transferências tradicionais podem levar horas ou dias para serem concluídas, o sistema brasileiro permite liquidação praticamente instantânea, característica que desperta interesse para futuras aplicações em operações internacionais.

Brasil e EUA negociam tarifas

Em meio às tensões comerciais, representantes do governo brasileiro esperam realizar uma reunião virtual nesta semana com autoridades dos Estados Unidos para discutir novas tarifas anunciadas por Washington.

A expectativa é que participem das conversas o ministro Marcio Elias, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e o chanceler Mauro Vieira. Pelo lado estadunidense, a previsão é de participação de Jamieson Greer, representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

O principal tema será a tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial do país. A medida foi apresentada após investigações que classificaram o Brasil como praticante de comércio considerado desleal e mencionaram o Pix como uma possível ameaça aos interesses de empresas estadunidenses.

Governo aposta em saída negociada

Integrantes do governo brasileiro avaliam que existe margem para uma negociação bilateral em relação à tarifa de 25%, por se tratar de uma medida direcionada especificamente ao Brasil.

Já a tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos para mais de 50 países, incluindo membros da União Europeia, é vista com menor otimismo. A medida foi justificada por Washington com base em alegações relacionadas ao combate insuficiente ao trabalho forçado e ao trabalho infantil.

Nos bastidores, autoridades brasileiras também consideram a possibilidade de uma conversa informal entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump durante a próxima reunião do G7, dependendo do avanço das negociações previstas para os próximos dias.

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