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PT propõe revisão da meta de inflação e mudanças no Banco Central

Documento do PT propõe rever meta de inflação de 3% e alinhar mandatos do BC ao governo para ampliar foco em crescimento e emprego

Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O PT incluiu em sua proposta de programa político a revisão da meta de inflação de 3% e mudanças no funcionamento do Banco Central (BC), tema que será debatido no 8º Congresso Nacional da sigla nesta semana. A proposta também prevê alinhar os mandatos da diretoria do BC ao do presidente da República e ampliar os objetivos da política monetária para incluir crescimento econômico e geração de empregos, relata o jornal O Globo.

O documento foi coordenado pelo ex-ministro José Dirceu e reflete um movimento interno do partido diante da insatisfação com o atual patamar de juros, elevado desde 2024. A minuta não estabelece qual seria a nova meta inflacionária, mas retoma discussões anteriores, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu um índice mais alto, de 4,5%, adotado em seus governos anteriores.

Insatisfação com juros e política monetária

A proposta surge em um cenário de críticas dentro do PT à condução da política monetária. Mesmo com a inflação em níveis historicamente baixos para o período do real, o ciclo de juros elevados iniciado em 2024 persiste, o que gerou incômodo entre integrantes do partido e do próprio governo.

Esse descontentamento foi intensificado pela demora no início da redução das taxas e por fatores externos, como a guerra no Irã, que pressionaram a condução da política econômica. Apesar disso, integrantes do governo evitam defender mudanças imediatas para não provocar reações negativas no mercado financeiro, especialmente em período eleitoral.

Ampliação dos objetivos do Banco Central

O texto propõe que a meta de inflação seja compatível com metas mais amplas. Segundo o documento, é necessário integrar o controle inflacionário a objetivos como crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento produtivo.

Atualmente, a legislação que garante a autonomia do Banco Central estabelece que esses fatores são objetivos secundários, subordinados ao controle da inflação. A proposta do PT sugere alterar essa lógica, colocando essas metas em maior equilíbrio.

Outro ponto central da proposta é a “harmonização” dos mandatos da diretoria do Banco Central com o do presidente da República. A ideia é aumentar a coordenação entre política monetária, fiscal e de desenvolvimento.

A proposta reflete também o histórico recente de tensões entre o governo federal e a gestão anterior do BC, especialmente durante o período em que Roberto Campos Neto esteve à frente da instituição.

Regras e prazos para mudança

Pelas regras atuais, qualquer alteração na meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) só entra em vigor após um prazo de 36 meses. No entanto, tecnicamente, o governo poderia acelerar esse processo por meio de um novo decreto.

Embora o tema não esteja no centro da agenda econômica imediata, a inclusão no programa partidário indica que a discussão pode ganhar força em um eventual novo mandato presidencial, mantendo o debate sobre o papel do Banco Central e os rumos da política econômica no país.

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