Setor têxtil brasileiro comemora aprovação do acordo Mercosul-União Europeia
Entidade aponta expansão do comércio e cooperação tecnológica para o setor
247 - A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifestou satisfação com a recente aprovação, pelos países membros da União Europeia, do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo a entidade, o avanço representa um marco nas relações entre dois dos maiores espaços econômicos do mundo.
A Abit avalia que a decisão de seguir para a assinatura do acordo demonstra confiança na cooperação internacional e no comércio como instrumentos de desenvolvimento, em um cenário global marcado por pressões protecionistas e polarizações econômicas. Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, o acordo é visto como uma oportunidade para ampliar o comércio de bens manufaturados e produtos têxteis com países que adotam práticas consideradas justas.
Impulso na economia e geração de empregos
A entidade também aponta a possibilidade de aumento de investimentos, cooperação tecnológica, maior diálogo sobre sustentabilidade, fortalecimento de setores criativos e qualificação profissional. A Abit afirma ainda que o acordo tem relevância estratégica ao contribuir para a diversificação de parcerias comerciais e para a redução de vulnerabilidades diante de choques externos.
Participação da Abit nas negociações
A entidade informou que participou ativamente de todo o processo de negociações, com apoio do Programa Texbrasil, parceria estratégica com a ApexBrasil. Segundo a Abit, o trabalho teve como objetivo representar e defender os interesses do setor têxtil e de confecção brasileiro. Nesse contexto, o setor firmou um entendimento com a Euratex, confederação europeia da indústria de vestuário e têxtil, sobre regras de origem e cronogramas de desgravação tarifária.
A proposta foi entregue aos governos como contribuição do setor privado ao acordo. De acordo com a Abit, o cronograma de redução de tarifas foi definido por produto, com prazos que podem chegar a até oito anos após a entrada em vigor do tratado. Cada item terá regras de origem específicas para acesso aos benefícios tarifários.
Comércio bilateral e dados do setor
Em 2025, o Brasil exportou US$66 milhões em produtos têxteis e de confecção para a União Europeia, com destaque para fios de seda, vestuário e tecidos de uso técnico. França, Portugal e Holanda figuraram entre os principais destinos. No mesmo ano, as exportações brasileiras de fibra de algodão para o bloco somaram US$14,6 milhões.
As importações brasileiras de produtos têxteis e de confecção provenientes da União Europeia totalizaram US$333 milhões em 2025, principalmente em vestuário, tecidos técnicos, tecidos de uso técnico e filamentos de poliamida. O bloco europeu também foi a segunda principal origem das importações de máquinas para a indústria têxtil e de confecção, com US$187 milhões importados em 2024.
De acordo com dados da Euratex, em 2023 a União Europeia importou 115 bilhões de euros em têxteis e confeccionados, tendo China, Bangladesh e Turquia como principais origens. No mesmo ano, o bloco exportou 64 bilhões de euros, com Suíça, Reino Unido e Estados Unidos entre os principais destinos. Nos primeiros sete meses de 2025, as exportações europeias de têxteis e vestuário para o Mercosul alcançaram 299,5 milhões de euros, crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2024.
Leia a nota na íntegra:
NOTA OFICIAL ABIT - Acordo Mercosul-União Europeia
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) manifesta sua satisfação pela recente aprovação, pelos países membros da União Europeia, do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, abrindo caminho para a sua assinatura e posterior ratificação. Esse importante passo representa um marco nas relações bilaterais entre dois grandes espaços econômicos do mundo, após mais de duas décadas de negociações.
A decisão de seguir para a assinatura do acordo demonstra a confiança na cooperação internacional e no comércio como vetores de desenvolvimento, especialmente em um contexto global marcado por forças protecionistas e polarizações econômicas. A iniciativa reforça a visão de que estruturas de parceria baseada em regras claras e multissetoriais são preferíveis à confrontação e ao isolamento econômico.
Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, esse acordo traz múltiplas oportunidades:
1. Expansão do comércio de bens manufaturados e têxteis com países que possuem práticas justas de comércio;
2. Aumento de investimentos e cooperação tecnológica;
3. Cooperação na área de sustentabilidade. Maior proximidade do bloco europeu nas discussões sobre regulamentos voltados para o setor têxtil e de confecção que vem avançando;
4. Diálogo cultural e fortalecimento de setores criativos;
5. Qualificação e desenvolvimento de pessoas.
Esse acordo também tem implicações estratégicas para diversificação de parcerias e redução de vulnerabilidades frente a choques externos. Ao integrar cadeias de valor entre América do Sul e Europa, o Mercado Comum do Sul e a União Europeia avançam em direção a um modelo de comércio baseado em maiores sinergias e intercâmbio de longo prazo.
A ABIT celebra essa evolução no relacionamento multilateral e reafirma seu compromisso com iniciativas que promovam crescimento econômico, geração de emprego, modernização da indústria e integração produtiva global.
PARTICIPAÇÃO DA ABIT NAS NEGOCIAÇÕES
A Abit, com o apoio do Programa Texbrasil, parceria estratégica da entidade com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), participou ativamente de todo o processo de negociações, representando e defendendo os interesses do setor.
Por meio deste trabalho, o setor têxtil e de confecção firmou um entendimento com sua contraparte europeia, a Euratex (European Apparel and Textile Confederation), sobre regras de origem e desgravação de tarifas que foi entregue aos governos como proposta do setor privado para o acordo, uma iniciativa inédita que muito contribuiu para o acordo e que, ao mesmo tempo, buscou preservar as características e necessidades das empresas brasileiras.
Segundo entendimento mantido entre privados do Mercosul e da União Europeia, o cronograma de desgravação foi definido por produto, e os artigos têxteis e confeccionados estão em várias categorias que levarão até oito anos para serem desgravadas, contados a partir do início da vigência do acordo. Cada produto, além do cronograma de desgravação de tarifas, terá sua própria regra de origem que deverá ser observada para obtenção do respectivo benefício de redução tarifária.
RELAÇÃO BILATERAL BRASIL-UNIÃO EUROPEIA - SETOR TÊXTIL E DE CONFECÇÃO
- US$ 66 milhões exportados pelo Brasil em 2025
Destacam-se: fios de seda, vestuário e nãotecidos (tecidos de uso técnico)
Principais países de destino: França, Portugal e Holanda
- + US$14,6 milhões exportados de fibra de algodão
- US$ 333 milhões importados pelo Brasil em 2025
Especialmente: vestuário, tecidos técnicos, nãotecidos e filamentos de poliamida
- O bloco europeu é a 2ª principal origem das importações de máquinas para indústria têxtil e de confecção. US$187 milhões importados em 2024
COMÉRCIO DA UNIÃO EUROPEIA DE TÊXTEIS E CONFECCIONADOS
- Em 2023, a UE importou 115 bilhões de euros em têxteis e confeccionados;
- China, Bangladesh e Turquia são as principais origens;
- Em 2023, a UE exportou 64 bi de euros em têxteis e confeccionados;
- Suíça, Reino Unido e Estados Unidos são os principais destinos.
Segundo a Euratex, o acordo entre Mercosul e União Europeia que poderá impulsionar a competitividade industrial da Europa, a diversificação do comércio e o crescimento sustentável. Para a indústria têxtil e de vestuário europeia, os benefícios já são visíveis. Nos primeiros sete meses de 2025, as exportações da UE de têxteis e vestuário para o Mercosul atingiram 299,5 milhões de euros, um aumento de 4,4% em comparação com o mesmo período de 2024. As exportações de vestuário registaram um crescimento de 9,2%, enquanto as exportações de têxteis cresceram 2%.
Estes números destacam o potencial desta parceria para expandir as exportações, reforçar a cooperação e construir cadeias de abastecimento mais resilientes e sustentáveis — especialmente para as pequenas e médias empresas focadas na qualidade, inovação e sustentabilidade.
(Fonte: Euratex)



