Vilãs da inflação, passagens aéreas devem ficar ainda mais caras
Petrobras anunciou reajuste de até 54,8% no preço do querosene de aviação (QAV), em decorrência do aumento global do petróleo
247 - O aumento de até 54,8% no preço do querosene de aviação (QAV) deve intensificar a pressão sobre as passagens aéreas no Brasil, que já registraram alta de 11,40% em fevereiro e figuram entre os principais vetores do IPCA. O reajuste anunciado pela Petrobras no início de abril amplia os custos das companhias aéreas, que tendem a repassar parte desse encarecimento ao consumidor nos próximos meses, relata o Metrópoles.
A elevação do querosene de aviação está diretamente relacionada ao avanço do preço internacional do petróleo, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência global, saltou de cerca de US$ 70 no fim de fevereiro para US$ 100,90 na última quarta-feira (1º), refletindo a instabilidade geopolítica e seus efeitos sobre o mercado energético.
Com o reajuste, o impacto nos custos operacionais das empresas aéreas se torna ainda mais significativo. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) indicam que o combustível, que antes representava cerca de 30% das despesas, agora responde por aproximadamente 45% do total. “Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas”, afirmou a entidade em nota.
O efeito do aumento do QAV ocorre por diferentes canais, segundo especialistas. O coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, André Braz, destaca que o impacto imediato se dá pelo custo direto, já que o combustível é adquirido continuamente pelas empresas. Há também influência cambial, uma vez que o preço do QAV acompanha o mercado internacional e a cotação do dólar. Além disso, a capacidade de adaptação operacional é limitada no curto prazo. “O repasse para o consumidor é parcial e com defasagem. No médio prazo, tende a pressionar o preço das passagens”, pontua Braz.
O economista Carlos Honorato, da FIA Business School, chama atenção para fragilidades estruturais do setor aéreo brasileiro diante de choques externos. “A gente está muito despreparado para os impactos internacionais. A guerra do Irã realmente provocou uma mudança nos preços, mas dentro do Brasil a gente tem um custo elevadíssimo de tributação, impostos, e o processo é bastante complexo em termos de gestão de uma companhia aérea nesse momento”, afirma.
Os dados históricos mostram que o preço das passagens aéreas já vem apresentando forte volatilidade nos últimos anos. Entre 2021 e 2023, os reajustes variaram de 17,59% a 47,24%, superando a inflação oficial. Em 2024, houve queda de 22,20%, mas os preços voltaram a subir em 2025, com alta de 7,85%. Em 2026, após recuo em janeiro, as tarifas voltaram a acelerar em fevereiro.
Diante desse cenário, o governo federal avalia medidas para reduzir os impactos no setor. O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou proposta ao Ministério da Fazenda sugerindo a redução temporária de tributos sobre o QAV, além de ajustes em impostos financeiros e sobre operações de leasing de aeronaves, com o objetivo de amenizar a pressão de custos decorrente da alta do petróleo no mercado internacional.


