“A culpa é de homens que ainda não aprenderam a respeitar as mulheres”, diz Reimont
Deputado afirma que vítimas de violência sexual não têm culpa e defende punição aos acusados e debate público sobre violência contra mulheres
247 - O deputado federal Reimont (PT-RJ) afirmou que vítimas de violência sexual não podem ser responsabilizadas pelos crimes cometidos contra elas e defendeu que a sociedade brasileira enfrente de forma direta o problema da violência contra mulheres e adolescentes. A declaração foi feita ao comentar o caso de estupro coletivo envolvendo uma adolescente de 17 anos ocorrido em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.
Em entrevista ao programa Bom Dia 247, o parlamentar disse que acompanha o caso a partir da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e relatou ter recebido a vítima e familiares em seu gabinete para prestar apoio institucional e jurídico.
Acolhimento à vítima e acompanhamento jurídico
Reimont relatou que foi procurado pela família da adolescente e decidiu oferecer acompanhamento ao caso. Segundo ele, o encontro com a vítima ocorreu em seu gabinete, com a presença de familiares.
“Essa jovem foi ao meu gabinete acompanhada das mães e de uma irmã. Nós ficamos lá durante todo o dia fazendo um atendimento político, dizendo do nosso compromisso de acompanhar essa família naquilo que precisasse”, afirmou.
O deputado explicou que convidou dois advogados que colaboram com seu gabinete para prestar assistência jurídica gratuita à família.
“Esses advogados estiveram lá conosco durante todo o dia para fazer esse acompanhamento e oferecer advocacia gratuita à família da menina que foi estuprada por quatro jovens em Copacabana”, disse.
“A vítima não tem culpa”
Durante a conversa com a adolescente, Reimont afirmou ter destacado que a responsabilidade pelo crime é exclusivamente dos agressores.
“Eu disse a essa menina com toda convicção: ‘Você não tem culpa nenhuma. A responsabilidade é de homens que ainda não aprenderam a respeitar o espaço das mulheres’”, declarou.
Segundo o parlamentar, muitas vítimas acabam internalizando sentimentos de culpa por causa de discursos presentes na sociedade.
“Uma mulher que sofre estupro, de modo particular uma menor, acaba ouvindo perguntas como ‘o que estava fazendo’, ‘que roupa estava vestindo’ ou ‘onde estava’. Isso cria um processo de culpa muito sofrido que é imposto a essas meninas”, afirmou.
Ele também mencionou que a adolescente chegou a duvidar do próprio relato após o crime. “Ela chegou a perguntar: ‘Será que eu fui estuprada?’. Isso mostra o peso cultural dessa culpa que recai sobre as mulheres”, disse.
Debate público sobre violência contra mulheres
Reimont defendeu que o caso seja tratado como um alerta para ampliar o debate público sobre violência sexual e educação de jovens homens no país. Ele afirmou ter conversado sobre o tema com a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
“Vamos acompanhar esse processo e propor um debate público no Rio de Janeiro para tratar desse tema. É preciso falar sobre isso”, afirmou.
Para o deputado, casos como esse demonstram a necessidade de mobilização permanente da sociedade. “Não é possível que a gente ainda conviva na sociedade brasileira com mulheres sendo estupradas todos os dias”, declarou.
Punição e responsabilização
O parlamentar também defendeu que os acusados sejam responsabilizados judicialmente. Segundo ele, os suspeitos podem enfrentar penas significativas caso sejam condenados.
“Esses jovens de 18 e 19 anos serão julgados e podem pegar uma pena de até 20 anos de reclusão”, afirmou.
Reimont destacou que a aplicação da lei deve ocorrer independentemente da posição social ou familiar dos envolvidos.
“Crime é crime, independente de quem o comete. Não importa se é filho de subsecretário, se é filho de deputado ou de juiz”, disse.
Para ele, a responsabilização também tem impacto pedagógico na sociedade. “Eles precisam ser julgados e condenados para que fique claro que crimes desse tipo não serão tolerados”, afirmou.
Violência contra mulheres e mudança cultural
Ao comentar o caso, Reimont afirmou que episódios de violência sexual refletem problemas estruturais relacionados ao machismo na sociedade brasileira.
“Há uma falência da sociedade. Nós fomos estruturados por séculos em um machismo que leva a situações como essa”, declarou.
Ele defendeu que o enfrentamento da violência contra mulheres envolve diferentes instituições sociais.
“Precisamos levar essa discussão para as escolas, universidades, famílias e todos os lugares onde nossa juventude está”, afirmou.
O deputado também disse que homens precisam assumir papel ativo no enfrentamento da violência de gênero.
“Essa não é apenas uma luta das mulheres. É uma luta de homens e mulheres. Nós, homens, precisamos trabalhar o machismo que existe em nós”, concluiu.


