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Breno Altman: Bolsonaros manterão candidatura até as últimas consequências

Jornalista aponta perda de força eleitoral após caso Banco Master, mas afirma que disputa contra Lula segue aberta

Flávio Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
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247 - O jornalista Breno Altman avaliou, em entrevista ao programa Bom Dia, da TV 247, que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República atravessa seu momento mais delicado desde o início da campanha. Segundo ele, os impactos políticos do caso Banco Master provocaram uma inflexão no cenário eleitoral, reduzindo a vantagem competitiva do senador e ampliando a dianteira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas.

Ao comentar levantamentos recentes divulgados pelos institutos Nexus e Quaest, Altman destacou que os números apontam uma tendência semelhante: crescimento da vantagem de Lula e perda de apoio de Flávio Bolsonaro em segmentos importantes do eleitorado. Apesar disso, ele rejeita a avaliação de que a candidatura do senador esteja definitivamente fora da disputa.

“Flávio Bolsonaro continua a ter viabilidade, ele continua a ser competitivo, embora tenha perdido força”, afirmou.

Segundo o jornalista, a principal explicação para a mudança no cenário é a repercussão do caso Banco Master e das relações políticas associadas ao episódio. Para ele, a controvérsia produziu danos concretos à imagem eleitoral de Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que o governo Lula passou a colher resultados da recuperação gradual de seus índices de aprovação.

“A combinação entre os fatores negativos que afetaram a candidatura de Flávio Bolsonaro e os fatores positivos acerca do governo Lula foram criando esse ambiente no qual o presidente Lula tem a dianteira agora”, analisou.

Altman observou que a perda de apoio do candidato bolsonarista não está migrando integralmente para Lula. De acordo com sua análise, parte desse eleitorado está se deslocando para outras candidaturas da direita ou optando pela indecisão e pelo voto nulo, o que mantém aberta a possibilidade de recuperação futura.

“Os votos perdidos por Flávio se dissipam entre outras candidaturas da direita e também em direção ao voto nulo e aos indecisos”, explicou.

Na avaliação do jornalista, esse comportamento diferencia o momento atual de uma situação de colapso eleitoral. Para ilustrar o quadro, ele recorreu a uma metáfora do boxe.

“Não houve nocaute. Houve um knockdown. Flávio Bolsonaro se levanta, está grogue, mas a luta continua”, afirmou.

Altman também chamou atenção para a movimentação de setores da direita tradicional e da imprensa, que, segundo ele, passaram a discutir alternativas ao nome de Flávio Bolsonaro. Entre as possibilidades mencionadas estariam candidaturas como a do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e a do influenciador Renan Santos.

Para o jornalista, entretanto, a família Bolsonaro dificilmente abrirá mão da disputa presidencial, mesmo diante das dificuldades atuais.

“A decisão dos Bolsonaros é manter a candidatura sob quaisquer circunstâncias”, disse.

Outro fator destacado por Altman é a dificuldade histórica do bolsonarismo em ampliar sua presença entre mulheres, eleitores de baixa renda, nordestinos e católicos. Segundo ele, esses segmentos já representavam obstáculos para Jair Bolsonaro em 2022 e continuam sendo desafios para o filho.

“O bolsonarismo tem problemas entre as mulheres, entre os eleitores de baixa renda, entre os eleitores do Nordeste e entre os católicos”, observou.

Na sua avaliação, a estratégia do campo bolsonarista não será tentar conquistar esses setores, mas ampliar sua vantagem em grupos onde já possui maior influência, especialmente entre homens, eleitores de renda média e alta e estados do Sul e Sudeste.

Altman ressaltou ainda que a rejeição elevada tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro reflete o grau de polarização política do país. Para ele, a disputa permanece aberta e deve ser decidida apenas no segundo turno.

“Hoje por hoje, eu apostaria numa vitória do presidente Lula no segundo turno por uma diferença de três a cinco pontos”, afirmou.

Apesar da vantagem atual do presidente, o jornalista alertou para o risco de interpretações precipitadas sobre o cenário eleitoral. Segundo ele, ainda há mais de cem dias até a votação e o histórico recente mostra que mudanças relevantes podem ocorrer durante a campanha.

“Essa batalha será muito renhida. A eleição deve ser disputada voto a voto”, concluiu.

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