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Breno Altman: candidatura de Flávio Bolsonaro ainda não morreu

Jornalista avalia que denúncias atingiram Flávio Bolsonaro, mas não provocaram efeito decisivo sobre sua base eleitoral

Breno Altman: candidatura de Flávio Bolsonaro ainda não morreu (Foto: Brasil247)
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247 - O jornalista Breno Altman afirmou em participação no Bom Dia 247 que a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro permanece viável mesmo após as denúncias envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Segundo ele, o impacto político existe, mas ainda não atingiu um nível capaz de retirar o senador da disputa eleitoral.

Altman avaliou que o cenário atual é diferente de episódios políticos do passado porque o ciclo de repercussão das informações diminuiu com a centralidade das redes sociais na circulação de notícias. “Hoje o tempo de dissipação da informação é muito rápido. Uma denúncia bombástica numa terça-feira perde força poucos dias depois”, afirmou. Para ele, o desgaste produzido pelas denúncias não deve ser confundido com uma inviabilização eleitoral.

“O Flávio Bolsonaro sofreu um knockdown, não um knockout. Caiu, foi abalado, mas continua de pé no ringue”, declarou. Na avaliação do jornalista, a família Bolsonaro já decidiu manter a candidatura e considera que possui poucas alternativas fora do núcleo familiar.

Altman afirmou que a principal variável para medir o tamanho do dano político serão as próximas pesquisas eleitorais realizadas após a divulgação das denúncias. Segundo ele, os levantamentos publicados até agora ainda não captaram integralmente os efeitos do caso porque parte das entrevistas ocorreu antes da repercussão pública.

“Se ele cair de 35% para 32%, está dentro da margem. Mas se cair para 28%, o botão de pânico será acionado”, disse. Para o jornalista, uma queda mais profunda poderia reabrir o debate interno sobre a permanência da candidatura.

Ele também afirmou que o bolsonarismo trabalha com a hipótese de preservar o projeto político da família e descartou, até o momento, apoiar um nome externo como representante da direita. “Jair Bolsonaro rejeitou entregar a candidatura para outro grupo político. Ele apostou numa candidatura puro-sangue da família”, afirmou.

Segundo Altman, a única alternativa fora do clã seria uma composição em torno do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ainda assim, ele considera que essa hipótese foi deixada de lado pela direção política do bolsonarismo.

O jornalista também avaliou que setores do mercado financeiro tendem a manter interlocução com Flávio Bolsonaro apesar do desgaste recente. “O mercado reagiu negativamente às denúncias porque vê nele um caminho político viável contra Lula”, afirmou.

Na análise de Altman, parte do apoio empresarial ao senador decorre da falta de opções competitivas no campo conservador após a decisão de Tarcísio de Freitas de permanecer na disputa pelo governo de São Paulo.

Ele destacou ainda que o núcleo mais fiel do bolsonarismo tende a permanecer unido independentemente das denúncias. “O bolsonarismo raiz continua acoplado. Nenhum candidato bolsonarista deixará de apoiar Flávio Bolsonaro”, disse.

Para o jornalista, o efeito mais relevante das denúncias não ocorre sobre os eleitores mais identificados com Lula ou Bolsonaro, mas sobre um grupo menor de eleitores independentes. “Há uma calcificação eleitoral no país. Os blocos mais ideológicos não se movem facilmente. O impacto das denúncias recai sobre os eleitores independentes”, afirmou.

Altman ressaltou que esse segmento pode se deslocar caso haja uma sequência de novas revelações envolvendo o Banco Master e personagens ligados ao bolsonarismo. “Se houver uma escalada permanente de denúncias, a situação muda de figura”, declarou.

Segundo ele, o cenário ainda depende diretamente da evolução das investigações e da capacidade das denúncias produzirem desgaste contínuo sobre o núcleo político da família Bolsonaro.

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