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“Eleições de 2026 serão duríssimas, mais até do que em 2022”, diz Breno Altman

Analista político avalia pesquisa e afirma que disputa eleitoral tende a ser ainda mais polarizada, com transferência consolidada de votos do bolsonarismo

“Eleições de 2026 serão duríssimas, mais até do que em 2022”, diz Breno Altman (Foto: Brasil247)

247 - As eleições presidenciais de 2026 devem ocorrer em um ambiente de forte polarização e disputa acirrada. A avaliação é do jornalista e analista político Breno Altman, que analisou os cenários eleitorais durante entrevista ao programa Bom Dia 247. Segundo ele, dados recentes de pesquisas indicam que o pleito poderá ser ainda mais difícil do que o de 2022. 

Durante a conversa, Altman comentou os resultados de um levantamento do instituto Datafolha que simulou cenários de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. A pesquisa mostra Lula com 46% das intenções de voto contra 43% do adversário, diferença dentro da margem de erro.

Para o analista, o resultado reforça a percepção de que o próximo processo eleitoral será altamente competitivo. “As eleições de 2026, tal como as eleições de 2022 foram, serão duríssimas, provavelmente mais duras do que as de 2022”, afirmou.

Transferência de votos no campo bolsonarista

Altman destacou que a pesquisa revela um fenômeno político relevante: a rápida transferência do eleitorado associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro para o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo ele, o levantamento indica que o filho do ex-presidente conseguiu reunir praticamente todo o eleitorado que votava no pai. “Flávio Bolsonaro conseguiu amealhar praticamente 100% dos votos do pai, o que é algo notável. É uma taxa de transferência rápida e absoluta”, disse.

Para ilustrar o contraste, o analista recordou a eleição presidencial de 2018, quando o então candidato Fernando Haddad recebeu parte dos votos que originalmente estavam associados ao ex-presidente Lula. Naquele cenário, segundo Altman, a transferência foi menor.

“Vamos lembrar que a taxa de transferência de Lula para Fernando Haddad em 2018 foi de 75%, não foi de 100%”, afirmou.

Na avaliação do analista, a pesquisa sugere que o campo político identificado com o bolsonarismo mantém forte capacidade de mobilização eleitoral.

Disputa de agendas na pré-campanha

Altman também afirmou que o cenário eleitoral será marcado por uma disputa de agendas entre governo e oposição. Segundo ele, o campo governista tende a priorizar pautas relacionadas ao desenvolvimento e à ampliação de direitos sociais.

“O governo acerta quando tenta pautar a discussão do país em torno de temas de expansão de direitos, de melhoria das condições de trabalho e de redução da jornada”, declarou.

Entre os temas mencionados por ele estão propostas como o fim da escala de trabalho 6 por 1, a discussão sobre tarifa zero no transporte público e a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda.

Por outro lado, o analista avalia que a oposição buscará centralizar o debate em outros assuntos. “A direita tentará pautar as eleições em torno dos temas segurança e corrupção”, afirmou.

Segundo Altman, essa disputa sobre quais temas dominarão o debate público será determinante para o ambiente político que antecederá o pleito de 2026.

Limitações econômicas e estratégia eleitoral

O analista também apontou desafios para o governo na condução da agenda política até o período eleitoral. Ele observou que a política fiscal adotada ao longo do atual mandato reduz a margem de manobra para ampliar gastos públicos no último ano de governo, estratégia frequentemente utilizada por administrações em busca de reeleição.

“O governo está com pouquíssima margem para fazer o que normalmente se faz quando o governo incumbente entra no ano eleitoral, que é ampliar seus gastos”, afirmou.

Na avaliação de Altman, esse cenário torna ainda mais importante a definição de pautas políticas capazes de mobilizar apoio social.

Disputa política e mobilização social

Ao comentar caminhos para enfrentar o cenário eleitoral, Altman defendeu maior intensidade no debate político e na mobilização popular em torno das propostas defendidas pelo governo.

Ele citou o exemplo do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que, segundo o analista, recorreu com frequência à mobilização social para defender iniciativas políticas.

“O Petro fez disputa política e ideológica de alta intensidade e recorreu à mobilização popular para defender suas bandeiras”, afirmou.

Para Altman, a disputa eleitoral que se aproxima será marcada pela definição de qual agenda prevalecerá no debate nacional. “A questão central é qual será a agenda do país: desenvolvimento e justiça social ou segurança e corrupção”, disse.

Na avaliação do analista, os sinais indicados pelas pesquisas sugerem que a corrida presidencial de 2026 tende a repetir — e possivelmente intensificar — o ambiente de polarização que marcou a política brasileira nos últimos anos.

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