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Engenharia forte é condição para soberania nacional, afirma Miguel Fernández

Candidato à reeleição no CREA-RJ defende tecnologia com responsabilidade, valorização profissional e fiscalização de obras

Engenharia forte é condição para soberania nacional, afirma Miguel Fernández (Foto: Brasil 247)
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247 - Em entrevista ao programa Conversas com Hildegard Angel, na TV 247, o engenheiro Miguel Fernández, presidente licenciado do CREA-RJ e candidato à reeleição, defendeu que o Brasil só poderá recuperar sua capacidade de desenvolvimento se recolocar a engenharia no centro das decisões nacionais.

“Acho que não há soberania nacional sem engenharia”, afirmou Fernández, ao comentar o papel estratégico do setor na infraestrutura, na segurança da população, na geração de riqueza e na retomada de um projeto de país.

Formado pela UFRJ, mestre em engenharia urbana e professor do CEFET, Fernández apresentou uma visão crítica sobre o enfraquecimento da engenharia brasileira desde os anos 1980. Para ele, o setor perdeu protagonismo quando as decisões nacionais passaram a ser guiadas sobretudo por métricas financeiras de curto prazo.

“Você não desenvolve um país baseado em métricas financeiras. As métricas financeiras melhoram conforme você desenvolve um país”, disse.

O engenheiro também criticou os efeitos da Lava Jato sobre o setor produtivo. Segundo ele, a operação contribuiu para uma “década perdida” na engenharia, com desorganização de empresas, desemprego e desinteresse de jovens pela profissão. “A engenharia foi criminalizada. E sem engenharia não há desenvolvimento do Brasil”, afirmou.

Ao tratar da inteligência artificial, Fernández adotou tom cauteloso. Para ele, a IA é uma ferramenta poderosa, mas não substitui responsabilidade técnica nem pensamento crítico. “Eu brinco que é um excelente estagiário, mas é um estagiário. Precisa ser supervisionado, direcionado e, acima de tudo, revisado”, declarou.

Fernández alertou que, na engenharia, erros produzidos ou não revisados por IA podem ter consequências graves. “Imagina num projeto de engenharia um erro de concepção, de cálculo, que gere um grande custo ou até fatalidade”, afirmou. Para ele, a discussão ética sobre responsabilidade profissional será central nos próximos anos.

Na entrevista, o candidato também destacou medidas de sua gestão no CREA-RJ, como a modernização dos sistemas internos, a criação de equipes especializadas para fiscalizar megaeventos e estruturas como pontes, viadutos, passarelas e túneis, além de propostas para ampliar a transparência sobre responsáveis técnicos por obras e serviços.

Ele citou a fiscalização de grandes eventos após mortes registradas no Rio de Janeiro e defendeu que estruturas temporárias, como palcos, camarotes e instalações elétricas, sejam tratadas como empreendimentos complexos de engenharia.

“Fiscalização é um trabalho muito inglório. Ela é invisível quando funciona. Só aparece quando há falha”, disse.

Outro ponto abordado foi a segurança dos elevadores. Fernández relatou que o conselho passou a discutir formas de informar moradores e síndicos sobre a manutenção e os profissionais responsáveis. Segundo ele, contratar curiosos em vez de empresas registradas não é economia, mas risco.

“Não vai encarecer o serviço de engenharia. Vai cobrar o justo. Hoje está sendo negligenciado o valor justo que o setor deve ser remunerado”, afirmou.

Fernández também defendeu que o Brasil abandone a lógica de agir apenas depois das tragédias. Ao citar quedas de pontes e problemas em sistemas de abastecimento de água, afirmou que o país precisa pensar no ciclo de vida de suas infraestruturas.

“Você não pode achar que uma hidrelétrica é eterna, que um prédio é eterno, que uma ponte é eterna, que uma tubulação de água é eterna”, afirmou.

Para Hildegard Angel, a entrevista teve caráter de “responsabilidade cidadã”, pela importância da engenharia para o futuro brasileiro. Ao final, Fernández disse estar percorrendo o estado do Rio para ouvir profissionais e construir um projeto mais forte para o conselho.

“O setor de engenharia é o principal ente do setor produtivo, o setor que gera riqueza e desenvolve a economia no nosso país”, concluiu.

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