“Flávio Bolsonaro virou um zumbi eleitoral”, diz Jeferson Miola
Analista afirma que escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master abalou o bolsonarismo e comprometeu o bloco anti-Lula para 2026
247 – O analista político Jeferson Miola afirmou que o senador Flávio Bolsonaro se transformou em um “zumbi eleitoral” após as revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em entrevista ao programa Giro das 11, da TV 247, Miola avaliou que o escândalo produziu uma crise profunda no bolsonarismo e pode alterar qualitativamente o cenário político das eleições presidenciais de 2026.
Segundo Miola, o episódio representa uma “bomba atômica” no campo da extrema direita brasileira. Ele destacou que as gravações divulgadas e as suspeitas envolvendo transferências milionárias ligadas à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro atingem não apenas a candidatura de Flávio, mas toda a estrutura política construída pelo bolsonarismo nos últimos anos.
“Se o Flávio até pode continuar a candidatura, vai ser um zumbi eleitoral, não tem viabilidade”, afirmou Miola durante a entrevista.
Escândalo abala núcleo do bolsonarismo
Na avaliação do analista, a divulgação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro desmonta a tentativa do senador de se desvincular do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e fundos investigados pela Polícia Federal.
Miola ressaltou que o problema vai muito além de uma eventual irregularidade eleitoral. Segundo ele, o caso aponta para uma engrenagem financeira mais ampla, com possível uso de recursos desviados do Fundo Garantidor de Crédito e operações internacionais suspeitas.
“Nós não estamos falando aqui de coisa séria, nós estamos falando aqui de crime”, declarou.
Ele também questionou a versão apresentada por Flávio Bolsonaro de que os recursos seriam destinados exclusivamente à produção audiovisual. Segundo Miola, a própria produtora do filme afirmou que não recebeu dinheiro de Vorcaro.
“O filme era uma fachada, eu insisto nisso”, afirmou.
Durante a entrevista, Miola destacou ainda que os valores envolvidos chamam atenção pela dimensão considerada incompatível com o mercado audiovisual brasileiro. Segundo ele, o projeto teria previsão de arrecadação superior a R$ 130 milhões, muito acima de produções premiadas internacionalmente.
“O sobrenome Bolsonaro se inviabiliza”
Para o comentarista político, o caso compromete diretamente o núcleo familiar bolsonarista. Ele afirmou que a ligação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro revelou um grau de intimidade que torna inviável qualquer tentativa de separar o escândalo da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O Bolsomaster ganhou forma concreta ontem. Então, assim, é um negócio da família”, disse.
Miola argumentou que o bolsonarismo apostava no sobrenome Bolsonaro como principal ativo eleitoral para 2026, mas que o desgaste provocado pelo escândalo destrói essa estratégia.
Segundo ele, até mesmo Michelle Bolsonaro enfrentaria dificuldades caso fosse escolhida como substituta de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
“Ela carrega esse sobrenome maldito hoje na eleição”, afirmou.
Direita entra em disputa interna
O analista também chamou atenção para a reação imediata de nomes da direita e da extrema direita ao escândalo. Ele citou críticas feitas por Romeu Zema, Ronaldo Caiado e integrantes do MBL, que passaram a cobrar explicações públicas de Flávio Bolsonaro.
Segundo Miola, essas reações mostram que parte da direita tenta se afastar preventivamente do desgaste político causado pelo caso.
“Eles não podem ficar numa situação de ‘vamos ver’, porque senão levam o carimbo junto”, explicou.
Ao mesmo tempo, Miola observou que esses grupos enfrentam um dilema político: embora tentem se diferenciar do escândalo, continuam dependentes eleitoralmente do apoio do bolsonarismo.
“Quem tem competitividade é a extrema direita, é o Bolsonaro, porque o fascismo tem base de massas”, afirmou.
Tarcísio também entra na crise
Durante a entrevista, Miola afirmou que os impactos do caso podem atingir também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Segundo ele, Daniel Vorcaro teria sido um dos principais financiadores da campanha de Tarcísio em 2022.
“Tem Vorcaro na eleição do Tarcísio de Freitas e do Jair Bolsonaro. Eles têm o carimbo do Vorcaro”, disse.
Miola avaliou que Jair Bolsonaro errou estrategicamente ao apostar na candidatura de Flávio Bolsonaro em vez de apoiar Tarcísio como sucessor político.
“O Bolsonaro sabia o que o filho tinha feito”, declarou.
Segundo ele, o bolsonarismo agora enfrenta uma “sinuca de bico”, sem um nome consensual capaz de substituir Flávio Bolsonaro mantendo a mesma força eleitoral.
Governo Lula deve “pisar no acelerador”
Ao comentar os efeitos políticos da crise, Miola defendeu que o governo do presidente Lula aproveite o momento para fortalecer sua agenda política e intensificar a disputa pública contra a extrema direita.
“O governo tem que ir para cima. Não é hora de recuar e se acomodar”, afirmou.
Ele defendeu autonomia total para a Polícia Federal investigar o caso e afirmou que o governo deve reforçar o discurso de enfrentamento à corrupção e às estruturas políticas ligadas ao bolsonarismo.
“O lado de lá é o abismo, é a corrupção, é envolvimento com esquema mafioso”, declarou.
Miola também alertou que, apesar do impacto do escândalo, seria um erro considerar o bolsonarismo derrotado antecipadamente.
“O abalo ao bolsonarismo não significa a morte do bolsonarismo”, disse.
Segundo ele, o movimento de extrema direita continua com forte presença social e eleitoral, exigindo mobilização permanente das forças democráticas.



