Folena diz que Lula representa a classe trabalhadora e denuncia relação do ‘fascismo com o crime organizado’
Advogado destaca papel de Lula na aprovação do fim da escala 6x1 e também critica a relação de políticos bolsonaristas com o Master, investigado pela PF
247 - O advogado e cientista político Jorge Folena afirmou em entrevista ao programa Giro das Onze que o presidente Lula representa a classe trabalhadora e teve papel central na articulação política que levou a Câmara dos Deputados a aprovar, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil.
Em comentário na TV 247, o analista também comentou as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, denunciando o que chamou de "fascismo" ao citar a relação entre políticos bolsonaristas, a elite econômica e as irregularidades investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Ao tratar da aprovação da PEC, Folena sugeriu que a pauta sobre o fim da escala 6x1 no Brasil expressou a ligação histórica do presidente Lula com pautas trabalhistas. "Ele é representante da classe trabalhadora", observou.
Mesmo com os elogios, o advogado não deixou de fazer alerta contra as intenções da extrema direita no Congresso. "Fascistas trabalham contra interesses da classe trabalhadora em favor dos muito ricos", pontuou o analista.
Folena acrescentou que o Parlamento abriga uma ideologia "burguesa, liberal, a serviço dos muito ricos" defendida por bolsonaristas. Para ele, essa atuação ameaça pautas sociais e trabalhistas, como a redução da jornada e o fim da escala 6x1.
Aprovação na Câmara
Em uma das maiores vitórias do governo Lula, a PEC aprovada pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (27) reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas em um prazo de até 14 meses e abre caminho para o fim da escala 6x1, em que a pessoa trabalha seis dias e descansa um.
No primeiro turno, a PEC recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. Já no segundo turno, foram 461 votos a favor do fim da escala 6x1 e 19 votos contra o projeto. Para avançar, o texto precisava obter ao menos 308 votos favoráveis em duas votações.
A data em que a proposta sobre o fim da escala 6x1 no Brasil será votada no Senado ainda será confirmada. Para ser aprovada, a PEC precisará de 49 votos favoráveis entre os 81 senadores, também em dois turnos de votação.
Caso Master e RioPrevidência
Além da análise sobre a PEC trabalhista, Folena cobrou investigação sobre aplicações do RioPrevidência no Banco Master. Segundo a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, as movimentações viabilizaram aporte de R$ 3,7 bilhões da instituição previdenciária no banco presidido por Daniel Vorcaro.
Na entrevista, o advogado também mencionou a apuração que cita o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro. Conforme a investigação da Compliance Zero, Ciro apresentou um projeto para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em casos de liquidação de instituições financeiras. Segundo a PF, a "emenda Master" teria origem em assessores do banco de Vorcaro e chegado ao congressista durante a tramitação de uma PEC que alterava normas do Banco Central em 2024.
"A família Bolsonaro não tem compromisso com o País", disse Folena ao citar os casos do Rioprevidência e de Ciro Nogueira. O cientista político fez uma associação direta entre o projeto político bolsonarista e estruturas criminosas. "Projeto fascista vai muito além de uma questão ideológica. O fascismo também tem relação com o crime organizado. Destruir o estado fiscalizador para que o crime ocupe as estruturas do Estado brasileiro", disse.
Folena sustentou que a investigação da PF revelou a presença de interesses ligados a Vorcaro na estrutura do RioPrevidência. Para ele, o caso expõe um risco mais amplo de captura de instituições públicas por redes privadas de poder.
"A PF demonstrou a partir do que apurou do telefone de Vorcaro a infiltração de agentes do Vorcaro na estrutura da Rioprevidência do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro é a base da ocupação do Poder Público no Brasil pelo crime organizado", afirmou Folena.
O advogado também relacionou esse modelo ao bolsonarismo em nível federal. Segundo ele, Jair Bolsonaro levou para o governo uma lógica que fragiliza estruturas responsáveis pela proteção de recursos públicos e previdenciários.
"O Bolsonaro leva essa estrutura para o governo federal. Fundos que têm o papel de cuidar do dinheiro de aposentados e pensionistas, que precisam de fundo sólido para garantir a aposentadoria deles. É escandaloso. Se o fundo quebra, como essas pessoas vão ficar?", questionou o advogado, alertando para o "tamanho da irresponsabilidade".
Flávio Bolsonaro, Vorcaro e Dark Horse
Folena também comentou a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. Em sua avaliação, o senador "foi mentir" no exterior, em um momento de novas revelações sobre a relação entre a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A visita ocorreu após o Intercept Brasil revelar, em 13 de maio, que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para investir no filme Dark Horse. O longa retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.
A Polícia Federal também identificou uma sequência de encontros entre o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), e Daniel Vorcaro antes de aportes milionários do RioPrevidência no Banco Master.
Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal, a PF afirmou que a manutenção dos aportes "não tem relação com a lisura, estrutura do investimento ou confiança que o Banco Master tinha no mercado".
O ex-governador negou irregularidades e afirmou que acompanha o andamento das investigações.



