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Genoino defende afastamento de Jaques Wagner, mas alerta para nova ofensiva da 'criminalização da política'

Na TV 247, o ex-presidente do PT comenta desafios do partido, cita as principais pautas do campo progressista e destaca cenário tenso na América Latina

José Genoino, Jaques Wagner, protesto do campo progressista em Recife e o Senado (Foto: Reprodução/247 I Marcos Oliveira/Agência Senado I Anderson Stevens/ASCRosa Amorim (deputada estadual em PE))
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247 – Ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoino defendeu nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do governo no Senado para se defender das suspeitas relacionadas ao Banco Master sem arrastar o presidente Lula nem o governo para a crise. Em participação na TV 247, o ex-dirigente afirmou que o Partido dos Trabalhadores deveria ter "aprendido com a criminalização" da política e da legenda principalmente no governo Dilma Rousseff (2011-2016) e no período pós-golpe (2016-2022).

"O Jaques Wagner já devia ter deixado a liderança do governo no dia, assumir a tribuna do Senado, fazer um discurso dizendo que ele vai se defender na justiça e nas ruas. O Lula não tem nada a ver com isso, nem o governo, e dizer que a liderança do governo será entregue ao Lula. É o melhor caminho para ele se defender e é o melhor caminho para não trazer o Lula para essa crise, que é o que interessa à mídia (tradicional) hereditária e monopolista", disse.

Conforme sinalizou o ex-presidente do PT, o campo progressista precisa estar atento para o uso do caso Jaques Wagner como nova ofensiva de criminalização da política, um fenômeno que, entre 2010 e 2022, foi massificado por uma aliança entre a elite político-econômica, a mídia tradicional, a Operação Lava Jato e setores da extrema direita brasileira. "Quando você baixa a cabeça, não é o melhor caminho para você enfrentar uma direita truculenta, fascista, que faz de tudo”, destacou Genoino.

O petista defendeu que o campo progressista não fique preso à agenda policial e retome o debate político. "A gente sair dessa pauta, essa pauta policial, essa pauta Banco Master, essa pauta do ram ram, isso aí não politiza. Nós temos que ir pra pauta do programa, da crise, das soluções", declarou.

Para Genoino, a extrema direita representa riscos concretos caso volte ao poder. "Se a extrema direita ganha eleição, eles vão privatizar o resto, vão diminuir os tetos constitucionais para saúde, educação, salário mínimo, vão criar uma política de segurança Bukele em El Salvador, à la Equador".

Investigações

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, apontou que Jaques Wagner recebeu um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Em endereços ligados ao senador, a PF também apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 441 mil em valores atuais.

O Banco Master é controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, que está detido e em negociação para delação premiada após ser alvo da Compliance Zero. Estimativas da PF apontaram que o esquema de fraudes financeiras causou prejuízos de pelo menos R$ 12 bilhões.

A defesa do senador pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação da busca e apreensão cumprida pela PF contra o parlamentar e afirmou que ele "jamais atuou no Congresso para favorecer o Master". "Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco", disse a defesa.

Sobre os valores em espécie encontrados durante as buscas, o advogado Pablo Domingues afirmou que o dinheiro tem origem lícita e comprovada. "Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens", completou o advogado.

Programa, ruas e campanha de Lula 4

Genoino defendeu que o PT apresente diretrizes claras para a campanha de Lula 4, com foco em democracia, soberania, pauta popular e organização de base. "Como é que você projeta a influência do partido? Definindo as diretrizes do programa para eleger o Lula 4. E essas diretrizes têm que sinalizar o futuro, a questão democrática, a questão da soberania, a questão da pauta popular, pauta do povo e a organização de base", pontuou.

O ex-presidente do PT também cobrou a construção de uma frente política com partidos de esquerda e forças progressistas. "Eu acho que o PT devia rapidamente organizar uma frente política com as forças de esquerda, PSOL, PCdoB, PV, Rede, PSB, PDT. Estamos construindo isso, consolidar o quanto antes", observou.

Na avaliação de Genoino, alianças estaduais devem ser tratadas de forma pontual, sem substituir o eixo programático nacional. Ele citou como exemplos Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

O petista afirmou ainda que a legenda precisa retomar a mobilização popular. "O Lula tem as limitações legais de fazer campanha agora, mas o PT pode começar a fazer mobilizações, plenárias. Nós temos que sair dessa bolha do pessimismo e construir uma bolha do otimismo".

São Paulo e disputa contra Tarcísio

Ao comentar a eleição em São Paulo, Genoino avaliou que a extrema direita e seus aliados têm como objetivo comum derrotar o PT, a esquerda e Lula. Ele afirmou que nomes como Kim Kataguiri e Paulo Serra pertencem ao mesmo campo político que nasceu da criminalização da política.

"Essas figuras nasceram da criminalização da política, nasceram da negação da política em 2013", disse. Na avaliação dele, o campo progressista deve analisar a possibilidade de ampliar o tempo de televisão e fortalecer a disputa estadual.

Na TV 247, Genoino elogiou a postura de Fernando Haddad na oposição ao governador Tarcísio de Freitas. "O Haddad tá tendo um bom desempenho na campanha. O discurso do Haddad tá firme, um discurso pela esquerda, um discurso de combate ao Tarcísio", seguiu.

O ex-presidente do PT também defendeu uma campanha coletiva e baseada em projeto. "Nós temos que sair dessas campanhas individualizadas, de personalismo, fazer uma campanha de projeto, de grandes atos, de grandes demonstrações de força", opinou.

América Latina, imperialismo e soberania

O ex-dirigente dedicou parte da entrevista à conjuntura latino-americana e à atuação dos Estados Unidos na região. Segundo ele, a prioridade geopolítica do imperialismo americano é a América Latina, por causa de reservas de petróleo, minérios, terras raras, commodities, mercado consumidor e relativa ausência de grandes conflitos entre países do continente.

"Isso não é novidade. O imperialismo americano, com a estratégia de segurança nacional do Estado americano imperialista, já dizia claramente que a prioridade geopolítica do império americano é a América Latina para os Estados Unidos".

Na entrevista, Genoino defendeu que uma vitória política e eleitoral de Lula poderia ajudar o Brasil a retomar a iniciativa regional. "Se a gente fizer uma campanha sem apavoramento, sem medo, e o Lula tiver uma vitória política e eleitoral, eu acho que a gente retoma a iniciativa, porque o Brasil tem uma influência", disse.

Genoino afirmou que o Brasil deve enfrentar o imperialismo americano com uma política internacional mais clara, sem aventureirismo. "A gente tem que ter muita clareza do que significa hoje a bandeira da soberania nacional, a soberania digital, a soberania de dados, a soberania ambiental, a soberania na área da defesa", declarou.

O ex-presidente do PT defendeu alianças no Sul Global e relações com China, países africanos, Índia e outras forças internacionais. "Eu acho que a gente vai ter algumas dificuldades, mas a gente tem que insistir nessa integração, porque a influência, a hegemonia do imperialismo se chama crise, se chama estimular conflito, se chama dividir para reinar".

Segurança pública e organizações criminosas

Ao tratar da política dos Estados Unidos para a região, Genoino criticou a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas. Para ele, esse tipo de medida não tem como objetivo principal resolver o problema da segurança pública, mas ampliar o poder de intervenção imperialista.

"Essa questão de conceituar o Comando Vermelho, PCC como organização criminosa, isso não é para garantir segurança, isso é para garantir poder do imperialismo", disse.

Segundo Genoino, a segurança pública deve ser enfrentada com presença do Estado, inteligência e articulação entre os níveis nacional, estadual e municipal. "A segurança você faz ocupando os territórios, você faz com inteligência, você faz com o sistema de segurança pública nacional, estadual e municipal", afirmou.

Otimismo político

No fim de sua participação, Genoino insistiu na necessidade de uma postura ativa da esquerda diante dos desafios nacionais e internacionais. "Nós temos que sair do lamento para o combate", afirmou. Ao se despedir, resumiu sua posição em uma palavra de ordem. "Viva o otimismo e abaixe o pessimismo", disse Genoino.

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