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Genoino diz que o 'clã Bolsonaro é um câncer pela vassalagem aos EUA' e vê 'onda de avanço' da esquerda na política brasileira

Ex-presidente do Partido dos Trabalhadores também critica tarifa de 25% dos EUA, defende o Pix e analisa tanto o cenário nacional como o global

José Genoino, Donald Trump, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo (Foto: Reprodução/TV247 I Redes Sociais/Donald Trump)
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247 — O ex-presidente do PT José Genoino acusou o clã Bolsonaro de vassalagem aos Estados Unidos e criticou a tarifa de 25% imposta por Washington a uma parte dos produtos brasileiros. Em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, o petista defendeu o Pix e afirmou enxergar uma "lenha de avanço" da esquerda na disputa política com a direita no Brasil.

De acordo com o ex-dirigente do Partido dos Trabalhadores, a família Bolsonaro representa um "câncer no entreguismo do Brasil perante os EUA". "Essa vassalagem, esse viralatismo do clã Bolsonaro produz uma subserviência que dá nojo", disse.

O ex-presidente do PT também saiu em defesa do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central. A ferramenta entrou no centro das críticas da gestão do presidente dos EUA, Donald Trump, que, mesmo sem apresentar provas, alegou supostas práticas comerciais desleais por parte do governo brasileiro.

Conforme Genoino, aliados do governo Trump e grandes empresários "queriam que as big techs entrassem nesta área de pagamento". "Como está difícil, eles querem criar dificuldade para o Pix", avaliou.

Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos EUA no último dia 25 e retornou três dias depois. O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vive em território estadunidense, onde tentam conseguir apoio da extrema-direita trumpista com o objetivo de aplicar sanções ao Brasil.

Basicamente, dois motivos explicam essas articulações entre bolsonarismo e trumpismo: um deles são as condenações em investigações sobre ações golpistas. O outro é o multilateralismo cada vez maior nos últimos anos por parte do governo Lula, que tem ampliado a cooperação com a China, com grupos econômicos como o BRICS e com o Sul Global.

Ex-presidente do PT vê avanço da esquerda

Mesmo diante da guerra tarifária lançada pelos EUA e das articulações internacionais do bolsonarismo com a extrema-direita em território norte-americano, Genoino avaliou que a esquerda brasileira vive um momento de avanço político.

Na entrevista, o ex-presidente do PT afirmou que o Brasil passa por uma "onda de avanço" no campo progressista, em confronto político com seus adversários. Ele também disse enxergar uma "canibalização da direita" brasileira e, por consequência, falta de rumo no cenário político.

Genoino sugeriu que a oposição ao campo progressista acumulou desgaste político nos últimos meses. Entre os fatores citados estão os escândalos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que negociou um financiamento de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O ex-banqueiro acabou detido e passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) em uma apuração sobre um esquema que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões. O caso ampliou a pressão sobre setores da direita em meio à disputa política nacional.

Motivos do tarifaço ao Brasil e o fator China

As condenações no Brasil relacionadas a ações golpistas entraram no centro do conflito e serviram de base para a taxação determinada pelos Estados Unidos. No inquérito da trama golpista, ministros do Supremo Tribunal Federal condenaram 29 pessoas. Jair Bolsonaro recebeu a maior pena: 27 anos de prisão. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar. Já no inquérito sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o Supremo Tribunal Federal informou mais de 1,4 mil condenações.

A família Bolsonaro ampliou suas articulações junto ao governo de Donald Trump com o objetivo de pressionar autoridades brasileiras. A iniciativa busca apoio a uma anistia para políticos e eleitores condenados por ações golpistas.

A taxação anunciada pelos EUA também tem uma motivação geopolítica mais ampla: o crescimento da influência da China no Brasil e na América. Segunda maior potência global, o país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil e defende o multilateralismo como caminho para impulsionar a economia mundial.

Em 25 de agosto de 2025, a China passou a aparecer entre os três principais parceiros comerciais de 157 países e regiões. A informação foi divulgada em coletiva da série "Concluir com alta qualidade o 14º Plano Quinquenal", promovida pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado.

Trump, Netanyahu e cenário global

Genoino também comentou o cenário internacional e demonstrou indignação com a atuação de Donald Trump após uma conversa com Benjamin Netanyahu. O petista afirmou que o primeiro-ministro israelense não acabou preso por causa do apoio dos Estados Unidos. "Espírito mafioso, coloca em risco a civilização humana. É uma barbárie", disse.

A fala ampliou o tom crítico do ex-presidente do PT contra a política externa norte-americana e contra a atuação de aliados de Washington no cenário global. Genoino associou a conduta de Donald Trump a uma lógica de pressão política e econômica sobre outros países.

Alerta sobre interferência na América Latina

O petista também alertou para a tentativa dos Estados Unidos de interferir na soberania de países latino-americanos. Ele citou Bolívia e Colômbia ao comentar a política regional de Washington e relacionou esse movimento à pressão contra o Brasil. "O imperialismo americano quer dominar a América Latina. Isso é grave", afirmou Genoino.

Ao tratar do caso brasileiro, o ex-presidente do PT disse que a ofensiva dos Estados Unidos "prejudica a economia e o povo". Para ele, a responsabilidade pelos danos políticos e econômicos deve alcançar tanto Donald Trump quanto a família Bolsonaro. "Os prejuízos têm que ser depositados na conta do clã, além do Trump."

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