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José Dirceu vê Lula na ofensiva e diz que Brasil não entregará seu destino à família Bolsonaro

Em entrevista à TV 247, ex-ministro afirma que soberania nacional será eixo da eleição de 2026 e critica tentativa de interferência dos Estados Unidos

José Dirceu (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)
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247 – O ex-ministro José Dirceu afirmou que o presidente Lula chega à disputa de 2026 em posição de ofensiva política, enquanto a família Bolsonaro estaria na defensiva diante de crises, investigações e da aproximação com o governo dos Estados Unidos. Em entrevista ao programa Forças do Brasil, conduzido por Mario Vitor Santos, na TV 247, neste sábado, 30 de maio de 2026, Dirceu também defendeu a soberania nacional como tema central da eleição. “É improvável que o Brasil entregue o seu destino na mão do Flávio Bolsonaro”, afirmou Dirceu, ao comentar o cenário eleitoral. 

Para ele, a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e a aproximação com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, expõem uma agenda subordinada a interesses estrangeiros. “Eles assumem a agenda dos interesses norte-americanos no Brasil”, disse.

Dirceu critica ofensiva dos EUA e defende soberania

Na entrevista, José Dirceu afirmou que os Estados Unidos podem se tornar um ator relevante na disputa eleitoral brasileira de 2026, especialmente após movimentos da família Bolsonaro em Washington. Segundo ele, a tentativa de enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas seria “muito ruim” para a economia, para as finanças e para as relações comerciais do Brasil.

“Isso é muito ruim pra economia brasileira, para as finanças, para as relações comerciais. É muito ruim e desnecessário totalmente”, disse.

Dirceu também criticou a tentativa de interferência externa sobre decisões soberanas do Brasil. “O que nós não podemos aceitar é que os Estados Unidos, no caso da administração Trump, queira dizer para nós como é que nós devemos governar o Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil deve manter relações com todos os países a partir de seus próprios interesses nacionais. “Eles têm os interesses nacionais deles, nós temos os nossos. Isso vale pros Estados Unidos, para a China, para a Rússia, para a Índia, para a África do Sul”, declarou.

“Soberania nacional é inegociável”

Ao defender a postura internacional do presidente Lula, Dirceu afirmou que a soberania brasileira não pode ser relativizada em função de pressões externas.

“O Lula nos representa muito bem quando ele mantém a dignidade do cargo dele de presidente, que a soberania popular o elegeu pela terceira vez e defende a soberania brasileira”, afirmou.

Em seguida, completou: “Um povo que não defende a sua liberdade, a sua soberania, termina em tragédias, como nós já vimos em vários momentos da história da humanidade. Então, isso é uma coisa inegociável e irrenunciável, que é a soberania nacional.”

Escala 6x1 e juventude na arena política

Dirceu também destacou a mobilização contra a escala 6x1 como um dos fenômenos políticos mais importantes do período recente. Segundo ele, o apoio da juventude ao fim da jornada exaustiva revela a entrada de novos atores na política brasileira.

“Esse apoio de 84% da juventude ao fim da escala 6x1 talvez seja o fato político mais importante dos últimos 20 anos”, afirmou.

Para o ex-ministro, a mobilização mostra que a juventude brasileira passou a atuar de forma decisiva na esfera pública. “Isso significa que a juventude brasileira entrou na arena política e entrou pela internet”, disse.

Dirceu avaliou que a pauta representa uma grande conquista histórica dos trabalhadores. “Nós começamos com a escala de 48 horas, mudamos para 44 em 88 e evoluímos agora para 40. Você vê que de 88 para cá lá se foram praticamente quase 40 anos. Então é uma grande conquista”, afirmou.

Crítica aos juros e defesa da reindustrialização

O ex-ministro também afirmou que o Brasil precisa enfrentar a concentração de renda, os juros elevados e a perda de capacidade industrial. Para ele, o país deve crescer entre 5% e 6% ao ano durante uma década para recuperar seu potencial.

“O Brasil precisa crescer 5, 6% ao ano durante 10 anos. E é possível porque o Brasil tem condições para isso”, disse.

Dirceu classificou o atual patamar de juros como um obstáculo central ao desenvolvimento nacional. “Isso é um crime que tá sendo feito contra o Brasil, pior dos últimos 50 anos, porque é um país que tá pagando 1 trilhão de juro da dívida pública quando devia tá pagando 200 bilhões, 150, que é o que todo mundo paga”, afirmou.

Ele também defendeu um projeto de desenvolvimento com reindustrialização, soberania tecnológica e fortalecimento do Estado. Segundo Dirceu, sem indústria o Brasil corre o risco de se reduzir a uma economia exportadora de alimentos, energia e matérias-primas.

“Se nós não avançarmos na reindustrialização do país, nós vamos ser uma fazenda de alimentos, energia, matérias-primas, minerais raros, ou nós vamos ser uma nação industrializada”, afirmou.

Congresso, reformas e disputa de 2026

José Dirceu reconheceu que o governo Lula aprovou medidas importantes no Congresso, mas defendeu a necessidade de uma composição parlamentar mais progressista.

“É importante destacar que o Brasil precisa de um Congresso mais progressista, mais de esquerda”, afirmou.

Segundo ele, apesar das dificuldades, Lula conseguiu aprovar “praticamente todas as leis importantes” enviadas ao Congresso. Dirceu citou reformas e programas sociais, mas afirmou que ainda faltam mudanças estruturais capazes de enfrentar a concentração de renda e reorganizar o papel do Estado no desenvolvimento.

Ele também apontou a eleição de 2026 como uma disputa estratégica. Dirceu disse que sua pré-candidatura a deputado federal pelo PT de São Paulo nasceu de uma conversa com Lula sobre sua volta ao Parlamento.

“A minha candidatura, ou pré-candidatura, nasce de uma conversa com o presidente Lula sobre a minha volta ao Parlamento”, afirmou.

Lula na ofensiva, Bolsonaro na defensiva

Na avaliação de José Dirceu, a eleição de 2026 será difícil, mas Lula entra em melhores condições do que em disputas anteriores. Ele afirmou que o campo progressista ampliou alianças, fortaleceu palanques estaduais e melhorou sua situação no Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

“Nós estamos nos preparando porque nós sabemos que é uma disputa que não é fácil, como não foi 14, 18 e 22”, disse.

Para Dirceu, a família Bolsonaro tenta mudar a pauta política com temas como segurança pública e crime organizado, mas enfrenta desgaste. “Nós estamos com uma agenda. Nós estamos na ofensiva, ele está na defensiva”, afirmou.

Tratamento contra linfoma e pré-campanha

Logo no início da entrevista, Dirceu também falou sobre sua saúde. Ele disse estar em tratamento contra um linfoma no duodeno, que classificou como curável, e afirmou estar otimista.

“Eu tô muito otimista e tô disciplinado”, declarou.

O ex-ministro explicou que reorganizou sua vida familiar, profissional e política para seguir o tratamento, mas pretende manter a pré-campanha por meio de entrevistas, redes sociais, mensagens e participação remota em atividades.

“Hoje com os meios de comunicação, você pode estar presente em todas as atividades. Basta colocar um telão que você fala, você é presente”, afirmou.

Dirceu disse ainda que pretende concluir o tratamento até o fim de agosto. “São seis sessões, espero terminar no final de agosto e curar o linfoma, que é curável”, afirmou.

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