“Lula chega à pré-campanha como favorito”, diz Marcos Coimbra
Sociólogo afirma que excesso de pesquisas empobrece o debate eleitoral e subestima o peso da máquina de governo em 2026
247 - Em entrevista ao programa Forças do Brasil, da TV 247, o sociólogo Marcos Coimbra afirmou que o presidente Lula mantém vantagem estrutural para a disputa presidencial de 2026, apesar da profusão de pesquisas que, segundo ele, tem dominado artificialmente a cobertura eleitoral.
Coimbra sustentou que a leitura diária de levantamentos eleitorais cria uma espécie de “corrida de cavalos” que desloca o debate central: o balanço do governo, as propostas para o país e a capacidade real de cada candidatura de falar com o eleitorado menos politizado.
“Nós estamos vivendo uma eleição única, com um abuso de pesquisa de opinião como a informação mais relevante para entender o país”, afirmou
Para o sociólogo, oscilações pequenas neste momento devem ser vistas com cautela. Ele lembrou que, em maio de 2022, pesquisas indicavam uma vantagem muito maior de Lula sobre Jair Bolsonaro do que aquela registrada no resultado final. A conclusão é que a eleição se decide quando a campanha passa a chegar ao eleitor comum.
“Eleição começa depois da parada de 7 de Setembro”, disse Coimbra, citando a tradição política mineira
Na avaliação dele, a vantagem de Lula está no fato de ser o incumbente — o presidente em exercício. Coimbra comparou a situação atual com 2022, quando Bolsonaro, mesmo desgastado, cresceu na reta final usando a máquina pública, benefícios e promessas de campanha.
“Quem tem esses recursos políticos na mão hoje é o presidente Lula”
Coimbra também avaliou que Flávio Bolsonaro não teria os mesmos instrumentos do pai em 2022. Para ele, o senador dependerá sobretudo do sobrenome, enquanto Lula teria realizações de governo a apresentar.
“Lula é o grande favorito para ganhar essa eleição”, afirmou
Outro eixo da entrevista foi a crítica à imprensa tradicional. Coimbra disse que parte da cobertura prefere enfatizar pesquisas e dificuldades políticas do governo em vez de discutir políticas públicas, economia, emprego, industrialização e programas sociais.
“A profusão de pesquisas está no lugar de uma discussão sobre as coisas que Lula está propondo e fazendo no governo”
Ao final, o sociólogo avaliou que Lula sabe que fez “um governo bom, tão bom quanto era possível” diante das condições políticas e econômicas herdadas e do cenário internacional. Para Coimbra, a reta final da campanha será decisiva, especialmente quando a propaganda eleitoral alcançar os eleitores que hoje ainda não acompanham a disputa.



