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Mascaro afirma que disputa entre esquerda e direita mascara estrutura do capitalismo

Jurista defende que política contemporânea está dividida em três campos e critica o que chama de “esquerda liberal”

Alysson Mascaro
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247 - Em entrevista ao programa Revolução Molecular, da TV 247, o jurista e filósofo Alysson Mascaro defendeu que a tradicional divisão entre esquerda e direita já não explica adequadamente os conflitos políticos contemporâneos. Segundo ele, a polarização histórica herdada da Revolução Francesa teria se tornado insuficiente para compreender a dinâmica do capitalismo atual.

Logo no início da conversa, Mascaro afirmou que a política moderna não está organizada em dois polos, mas em três forças distintas: a direita conservadora, o liberalismo progressista e um campo revolucionário voltado à superação do capitalismo.

“A divisão política das sociedades contemporâneas é em três”, declarou o professor, ao sustentar que tanto a direita quanto setores da esquerda acabaram integrados à reprodução do sistema capitalista.

Ao longo da entrevista, Mascaro recuperou a origem histórica dos termos “direita” e “esquerda”, explicando que a separação surgiu durante a Revolução Francesa, quando representantes da aristocracia e setores conservadores sentaram-se à direita da Assembleia Nacional, enquanto os defensores de mudanças sociais ocuparam o lado esquerdo.

Segundo ele, porém, a direita foi historicamente beneficiada também pela simbologia cultural associada ao termo. “Pessoa direita”, “rua direita” e expressões religiosas ligadas ao lado direito teriam contribuído para consolidar uma associação entre conservadorismo, moralidade e ordem social.

Para o jurista, essa construção simbólica ajudou a direita a fortalecer seu discurso político ao longo dos séculos. “A direita usou e abusou dessa palavra durante mais de 200 anos”, afirmou.

Mascaro também criticou duramente o que definiu como “esquerda liberal”, acusando esse campo de defender apenas reformas superficiais, pautas de representação e mudanças de linguagem, sem enfrentar a estrutura econômica da exploração capitalista.

“Não basta só dizer ‘todas e todos’. É preciso libertar as mulheres para que elas não sejam mais exploradas”, disse.

Em sua avaliação, parte da esquerda contemporânea teria abandonado projetos de transformação estrutural para se concentrar em agendas simbólicas e culturais. Embora reconheça a importância da representatividade, Mascaro afirmou que ela não altera as condições materiais de vida da população trabalhadora.

“O povo está passando fome, sem conseguir pagar boleto, aluguel, remédio, transporte. E a esquerda liberal oferece cosmética”, criticou.

Durante a entrevista, o professor também abordou a influência das igrejas neopentecostais e das redes sociais na construção de valores conservadores. Segundo ele, setores religiosos e midiáticos difundem a ideia de que os problemas sociais decorrem de forças morais ou espirituais, desviando a atenção das estruturas econômicas.

“Para o povo é ensinado que a exploração vem do Satanás, não do capitalista”, afirmou.

Mascaro sustentou ainda que a direita mobiliza sentimentos de força, ordem e combate, enquanto a esquerda liberal se apresenta de forma excessivamente moderada e incapaz de disputar emocionalmente o imaginário popular.

Na parte final da conversa, o jurista voltou a defender a necessidade de uma transformação radical das relações sociais, econômicas e afetivas. Para ele, questões como exploração do trabalho, propriedade privada, especulação imobiliária e até os modelos tradicionais de relacionamento estariam ligados à lógica do capitalismo.

“Somente libertando o mundo do capitalismo é que a gente consegue dar para cada pessoa seu propósito”, declarou.

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