Minc acusa Cláudio Castro de ações “criminosas” e prevê cassação no TSE
Ex-ministro afirma que aplicação do RioPrevidência no Banco Master foi irregular e analisa julgamento no TSE que pode levar à inelegibilidade de Castro
247 - O ex-ministro do Meio Ambiente e deputado estadual Carlos Minc fez duras críticas ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), ao comentar investigações e processos judiciais envolvendo a gestão estadual. Em entrevista ao Bom Dia 247, Minc classificou decisões do governo relacionadas a aplicações financeiras do RioPrevidência como “criminosas” e analisou o andamento do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do mandato do governador. O parlamentar também abordou o escândalo envolvendo o Banco Master e os desdobramentos políticos que podem afetar a sucessão no governo do estado.
Segundo Minc, ele e o deputado Luiz Paulo já haviam alertado sobre riscos nas operações financeiras antes mesmo da repercussão pública do caso. “Antes de estourar o escândalo, eu e o Luiz Paulo na Assembleia já cobrávamos por que o RioPrevidência estava colocando recursos em um banco de quarta linha que estava com suspeitas de que não iam honrar seus compromissos”, afirmou.
O parlamentar disse que a iniciativa buscava apurar o uso de recursos do fundo de previdência estadual. “Pedimos formalmente investigação do Ministério Público Estadual e Federal sobre esse abuso”, relatou. Para Minc, a decisão colocou em risco as finanças públicas e os direitos de aposentados e pensionistas: “Foi demonstrado que isso tudo foram interesses políticos que colocaram em risco não só os aposentados e pensionistas, mas o equilíbrio do estado”.
De acordo com o deputado, a operação teria resultado em perdas expressivas para os cofres públicos. “Pendure aí uma conta de um bilhão que não será recuperado porque não é coberto pelo fundo garantidor e que obviamente vai ser dividido entre todos os contribuintes”, afirmou.
Julgamento no TSE e risco de cassação
Durante a entrevista, Minc também comentou o julgamento em curso no Tribunal Superior Eleitoral sobre irregularidades na campanha que elegeu Cláudio Castro em 2022. Segundo ele, o processo discute o uso de recursos públicos para contratação de cabos eleitorais.
“Ontem foi o segundo voto pela cassação dele”, afirmou o deputado ao comentar o andamento do julgamento. Ele explicou que o ministro Nunes Marques pediu vista do processo, mas que a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, agiu para acelerar o calendário da análise.
“Ela foi muito firme. Já marcou nova sessão para o dia 24 e outra para o dia 25”, destacou Minc. Na avaliação dele, a tendência é de maioria pela cassação do governador: “O placar previsível é 5 a 2”.
O deputado acredita que Castro pode tentar uma estratégia política para reduzir os impactos da decisão judicial. Segundo ele, a renúncia ao cargo antes da conclusão do julgamento poderia evitar a cassação formal do mandato.
“O Cláudio Castro renunciando antes do resultado final dessa votação, ele se livra de uma das condenações. Claro, ele não pode ser cassado se ele não é mais governador”, explicou. No entanto, o parlamentar afirma que a renúncia não impediria outra penalidade prevista no processo. “Ele não se livra da outra, da inelegibilidade”.
Possível eleição indireta no estado
Caso o governador deixe o cargo antes da conclusão do mandato, Minc afirma que o estado poderá ter uma eleição indireta para escolher um novo chefe do Executivo até o fim do período. Nesse caso, a decisão seria tomada pela Assembleia Legislativa.
“Se ele renunciar, haverá eleição indireta um mês após a data que ele renunciar”, afirmou. “Votam os senhores deputados em eleição indireta.”
Minc também comentou as articulações políticas em curso para esse cenário. Segundo ele, partidos de esquerda e centro-esquerda discutem a possibilidade de lançar um nome competitivo contra o candidato apoiado pela base governista.
“Nós estamos vendo qual é o nome, provavelmente da centro-esquerda, que vai garantir votos do PSD, do MDB e de algumas dissidências da própria base governista”, afirmou.
Investigações e segurança pública
Outro tema abordado na entrevista foi a atuação recente da Polícia Federal no estado do Rio de Janeiro. O deputado destacou operações que investigam suspeitas de ligação entre agentes públicos e o crime organizado.
Para Minc, esses episódios expõem contradições no discurso político de setores que defendem políticas de segurança mais duras. “Eles falam tanto de combater o crime, mas sempre que aparece alguém ligado ao Comando Vermelho, é sempre do lado deles”, afirmou.
Ele também mencionou o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco para defender investigações independentes. “A investigação só avançou depois que a Polícia Federal entrou”, declarou.
Ao final da entrevista, o deputado afirmou que a esquerda e setores do centro político devem ampliar o debate sobre segurança pública e corrupção para enfrentar o que chamou de narrativa dominante da direita no tema.


