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"Netanyahu é o presidente dos Estados Unidos", ironiza professor iraniano

“Os sionistas estão no comando”, aponta Mohammad Marandi, professor da Universidade de Teerã, sobre o papel de Israel na guerra dos EUA contra o Irã

Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Mohammad Marandi (Foto: Evan Vucci/Pool via Reuters | Reprodução/Facebook)

247 - O professor iraniano Mohammad Marandi afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, exerce influência decisiva sobre a política dos Estados Unidos, especialmente nas negociações e no conflito com o Irã. A declaração foi feita em entrevista à TV 247, na qual o docente da Universidade de Teerã também sustentou que “os sionistas estão no comando” das decisões estratégicas que envolvem Washington e Tel Aviv.

Segundo o professor, os acontecimentos recentes indicam que forças alinhadas ao sionismo atuam tanto em Israel quanto nos Estados Unidos para impedir avanços diplomáticos. Ele citou, como exemplo, a publicação de um artigo no Washington Post sugerindo o assassinato de negociadores iranianos, classificando o episódio como reflexo de uma disputa entre mídia e governo por posições mais agressivas.

Falta de autonomia nas negociações

O professor criticou a condução das negociações por parte dos Estados Unidos, apontando que o vice-presidente JD Vance não teria autonomia para tomar decisões. Segundo ele, o dirigente americano realizava constantes ligações durante as reuniões, inclusive para o primeiro-ministro de Israel. “Netanyahu está dizendo que o vice-presidente dos EUA se reporta a ele”, afirmou Marandi. “Parece que Netanyahu é o presidente dos Estados Unidos".

De acordo com o professor, essa dependência comprometeu o avanço das negociações, enquanto a delegação iraniana, segundo ele, atuava com independência após alinhamento prévio com a liderança do país.

Pressão israelense e soberania iraniana

Marandi afirmou que as exigências americanas seriam influenciadas por Israel e consideradas inaceitáveis pelo Irã, especialmente no que diz respeito à soberania nacional. Ele destacou que o país não aceitaria abrir mão de sua autonomia. “O Irã é um país revolucionário. É independente. Para o povo iraniano, sua soberania é muito importante”, declarou.

O professor também contestou declarações de autoridades americanas sobre supostos danos às capacidades militares iranianas, classificando tais afirmações como infundadas.

Risco de guerra e impacto global

Na avaliação de Marandi, há possibilidade elevada de escalada militar entre os países. Ele afirmou que uma eventual retomada do conflito poderia envolver ataques à infraestrutura iraniana e provocar retaliações contra ativos americanos e aliados no Golfo Pérsico.

Segundo ele, países como Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita teriam novamente papel central no cenário da guerra, por fornecerem apoio logístico aos Estados Unidos.

O professor alertou ainda para consequências econômicas globais, afirmando que um conflito dessa magnitude poderia levar a uma “depressão econômica global”.

Influência israelense e escalada do conflito

Marandi atribuiu a continuidade das tensões à atuação do que chamou de “lobby israelense”, citando a renúncia de um ex-chefe de contrainteligência ligado ao governo Trump, que teria afirmado que o Irã não representava ameaça direta aos Estados Unidos. “O regime israelense está no comando”, disse.

“O que os sionistas estão fazendo é arruinar a vida de todos ao redor do mundo”, declarou.

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