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“O Irã é a última linha de defesa contra o imperialismo”, diz Thiago Ávila

Ativista detalha novas ações pró-Palestina, critica os Estados Unidos e anuncia mobilizações por Gaza, Cuba e Bahia

Thiago Ávila (Foto: Reprodução X)

247 - Em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e à continuidade da crise em Gaza, o ativista Thiago Ávila afirmou que o Irã ocupa hoje um papel decisivo na resistência dos povos do sul global diante da escalada militar liderada pelos Estados Unidos e por Israel. Na avaliação dele, a conjuntura internacional vive um momento extremo, marcado por guerras, sanções, desestabilização regional e tentativas de ampliação de influência sobre países considerados estratégicos.

As declarações foram dadas em entrevista à TV 247, no programa Brasil Agora, em conversa com o jornalista Leonardo Attuch. Ao longo da entrevista, Ávila relatou sua leitura sobre o cenário geopolítico atual, comentou viagens recentes por países como Irã, Líbano, Cuba e Venezuela e anunciou novas ações internacionais de solidariedade, com foco em Gaza, além de mobilizações previstas para Cuba e para o litoral da Bahia.

Segundo o ativista, o quadro internacional se tornou mais perigoso por causa da radicalização da política externa de Washington. Em sua leitura, há uma combinação entre crise de hegemonia, força militar e disposição para ampliar confrontos. Ao comentar esse cenário, ele fez uma das declarações mais fortes da entrevista: “O Irã é a grande última linha de defesa. Se o Irã cai de fato, não só naquela região, mas no mundo inteiro, os povos estão numa situação muito difícil”.

Ávila sustentou que o país persa deve ser compreendido para além dos estereótipos que, segundo ele, predominam no debate público. Na entrevista, descreveu o Irã como uma civilização milenar, com identidade cultural própria e uma longa trajetória de enfrentamento a interferências externas. Ao rememorar o golpe de 1953, ele afirmou que o país vive há décadas sob pressão do imperialismo e que sua história recente não pode ser separada desse processo.

Ao relatar sua passagem pelo território iraniano, o ativista disse ter encontrado uma realidade mais complexa do que a imagem difundida no Ocidente. “Eu vi várias mulheres sem hijab e sem serem importunadas na rua. Eu vi pessoas manifestando abertamente sua oposição ao governo. Eu vi militantes das mais variadas orientações da esquerda. Eu vi uma comunidade judaica vibrante, com sinagoga, com bairro ali”, declarou. Na mesma linha, acrescentou que enxergou uma sociedade marcada por adaptação econômica e capacidade de resposta às sanções internacionais.

A entrevista também tratou da situação em Gaza e da continuidade das mobilizações internacionais. Ávila afirmou que o cessar-fogo mencionado em discursos diplomáticos não se traduziu em melhora concreta para a população palestina. Segundo ele, o bloqueio humanitário continua, a entrada de ajuda segue insuficiente e o território permanece sob pressão militar.

Com base nessa avaliação, o ativista anunciou uma nova ofensiva internacional de solidariedade. “A próxima flotilha vai ser a maior da história, com mais de 100 barcos, com mais de 1000 pessoas”, afirmou. Ele disse ainda que a mobilização deverá reunir embarcações com médicos, educadores, materiais de construção, alimentos e medicamentos, além de articulação terrestre por diferentes regiões e um congresso parlamentar em Bruxelas para pressionar a União Europeia.

Ao defender a retomada da flotilha, Ávila afirmou que esse tipo de ação tem capacidade de ampliar a conscientização internacional sobre a causa palestina. “A gente entendeu que a flotilha é uma forma muito eficaz de trazer o debate no mundo sobre a Palestina, sobre o direito do povo palestino, sua autodeterminação, sobre a luta contra o genocídio”, disse. Na entrevista, ele também associou a pressão popular internacional a mudanças táticas na condução política do conflito.

Outro eixo importante da conversa foi Cuba. Ávila informou que participará, nos próximos dias, de um comboio com destino a Havana, com chegada de militantes e doações vindas de vários países. Segundo ele, a proposta é marcar posição contra ameaças externas e em defesa da soberania cubana. “No dia 21 de março agora,vai haver grande ato em Havana com organizações do mundo inteiro”, afirmou, ao descrever a nova etapa da mobilização.

O ativista também anunciou uma agenda no Brasil, com deslocamentos para Morro de São Paulo e Itacaré, na Bahia. Na entrevista, ele disse que pretende discutir turismo ético, denunciar a presença de militares israelenses em áreas turísticas brasileiras e defender que o país não seja tratado como espaço de refúgio para autores de crimes de guerra. “O Brasil não pode ser refúgio de criminosos de guerra que estão matando crianças”, declarou.

Ao diferenciar judaísmo de sionismo, Ávila afirmou que a crítica política que faz se dirige ao que definiu como um projeto colonial e expansionista. Segundo ele, a viagem à Bahia ocorrerá em meio a tensões e provocações, mas a proposta central será reafirmar a soberania nacional e a solidariedade à Palestina. “O Brasil é do povo brasileiro”, resumiu.

A entrevista terminou com um chamado à mobilização internacional. Para Ávila, civis, movimentos populares e organizações de solidariedade seguem tendo papel central diante da escalada dos conflitos. Em sua formulação, o momento exige articulação ampla e pressão contínua. “Se a gente entende que a população civil nesse mundo tem uma tarefa a cumprir nesse momento, essa tarefa é um levante global anti-imperialista e antissionista”, disse.

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