Agressões de EUA e Israel deslocam mais de 3 milhões de iranianos dentro do país persa
ACNUR estima que entre 600 mil e 1 milhão de famílias deixaram temporariamente suas casas desde o início do conflito
247 - Mais de 3 milhões de pessoas foram deslocadas dentro do Irã desde o início das agressões dos Estados Unidos e Israel contra o país. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (12) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Segundo o organismo, entre 600 mil e 1 milhão de famílias iranianas deixaram temporariamente suas casas desde o início do conflito. O contingente pode chegar a cerca de 3,2 milhões de pessoas deslocadas internamente. As informações são da RFI.
Em comunicado, o diretor da Divisão de Apoio a Emergências e Programas do ACNUR, Ayaki Ito, afirmou: "De acordo com estimativas preliminares, entre 600 mil e 1 milhão de famílias iranianas estão atualmente deslocadas temporariamente dentro do país devido ao conflito em curso, representando até 3,2 milhões de pessoas". Grande parte da população deslocada tem deixado Teerã e outros grandes centros urbanos. Muitos buscam abrigo em regiões do norte do país e em áreas rurais, movimento que, segundo a entidade, tende a crescer enquanto os combates continuarem.
Os EUA e Israel iniciaram uma agressão militar conjunta contra o Irã no dia 28 de fevereiro. A operação desencadeou um conflito que se estendeu por diferentes áreas do Oriente Médio. Nesta quinta-feira (12), ataques aéreos continuam sendo registrados no território iraniano, no 13º dia da guerra.
Situação dos refugiados no Irã
O ACNUR também alertou para a situação de refugiados que vivem no Irã, especialmente os de origem afegã. Segundo o organismo, essas famílias enfrentam condições mais frágeis diante do agravamento da crise. Ayaki Ito declarou que "as famílias de refugiados acolhidas no país — a maioria afegãs — também estão sendo afetadas. Sua situação precária e as redes de apoio limitadas as tornam particularmente vulneráveis".
Ele acrescentou que "diante da crescente insegurança e do acesso restrito a serviços essenciais, essas famílias estão deixando as áreas afetadas pelo desastre". O ACNUR informou ainda que trabalha em conjunto com autoridades nacionais e parceiros humanitários para avaliar as necessidades emergentes e ampliar a preparação diante do aumento do deslocamento populacional.
O organismo também defendeu "a necessidade urgente de proteger os civis, manter o acesso humanitário e garantir fronteiras abertas para aqueles que buscam segurança, em conformidade com as obrigações internacionais".
Crise humanitária no Líbano
A crise provocada pelo conflito também atinge o Líbano. Autoridades do país estimam que cerca de 800 mil pessoas tenham sido deslocadas no território libanês. A representante do ACNUR no Líbano, Karolina Lindholm Billing, declarou em Genebra, na terça-feira (10), que "o número de deslocados continua a aumentar".
Ela afirmou que "a maioria fugiu às pressas, praticamente sem nada, e está buscando refúgio em Beirute, no Monte Líbano, no norte do país e em partes do Vale do Bekaa". O Líbano também enfrenta impactos diretos da guerra. Ataques israelenses direcionados já provocaram a morte de 687 pessoas, segundo autoridades libanesas.


