"Os Estados Unidos perderam o jogo da globalização e decidiram virar o tabuleiro", diz José Kobori
Em entrevista à TV 247, economista critica o modelo neoliberal e aponta a China como vitoriosa dentro das próprias regras criadas pelo Ocidente
247 – Em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, o professor José Kobori fez uma análise contundente sobre o atual cenário geopolítico e econômico, afirmando que os Estados Unidos, diante do fracasso de seu projeto de globalização, decidiram “virar o tabuleiro” ao perceberem que foram superados pela China. “Os Estados Unidos perderam o jogo da globalização e decidiram virar o tabuleiro”, afirmou Kobori ao comentar as medidas protecionistas e o discurso beligerante adotado pelo presidente Donald Trump. "Roubaram a bola".
Para Kobori, os EUA criaram as regras do comércio global após a Segunda Guerra Mundial, mas, quando perceberam que outras nações estavam vencendo dentro dessas mesmas regras — como foi o caso do Japão nos anos 1980 e agora da China — passaram a tentar reescrevê-las. O professor lembrou que essa mudança de postura já ocorreu no passado, como nos Acordos de Bretton Woods e Plaza, e agora se repete com a tentativa de desacoplar a economia americana da chinesa. “Trump está tentando forçar a volta da industrialização nos Estados Unidos, mas isso esbarra em limites estruturais: custos elevados, escassez de mão de obra barata e o fato de que a China já domina cadeias produtivas inteiras”, explicou.
Segundo Kobori, a China venceu ao combinar os elementos mais dinâmicos do capitalismo com o planejamento estatal. “Ela está vencendo os Estados Unidos dentro das próprias regras que os americanos criaram. A China absorveu as tecnologias, aprendeu, melhorou e agora lidera”, disse. Para ele, a estratégia americana de expansão militar, que consumiu trilhões de dólares, cobra hoje um preço alto, com desigualdade social e perda de competitividade interna. "Todos os impérios caíram do mesmo modo", diz ele.
Kobori também destacou que o Brasil tem uma oportunidade única nesse novo cenário global, especialmente com o fortalecimento de alianças como a CELAC e o aprofundamento da relação com a China. “O Brasil pode se colocar como um país que respeita regras. A sinalização é importante para o mundo. Mas é importante ter um verdadeiro projeto de desenvolvimento”, afirmou. Assista:
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