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Os EUA perderam a guerra contra o Irã”, afirma Susana Botár

Analista diz que Trump busca saída negociada após fracasso militar e acusa Netanyahu de tentar sabotar acordo entre Washington e Teerã

Bandeira do Irã e Donald Trump (Foto: Dado Ruvic/Reuters)
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247 - A analista de política internacional Susana Botár afirmou que os Estados Unidos saíram derrotados do confronto contra o Irã e enfrentam agora dificuldades para construir um acordo que não represente uma derrota política para Donald Trump. A declaração foi dada em entrevista ao Boa Noite 247, na qual ela analisou a escalada das tensões no Oriente Médio, o papel de Israel no conflito e as negociações em curso entre Washington e Teerã.

Segundo Susana, o governo norte-americano entrou na guerra acreditando em uma vitória rápida, baseada na eliminação de lideranças iranianas e no enfraquecimento interno da República Islâmica. No entanto, ela afirma que o cálculo fracassou diante da capacidade militar e da resistência política do Irã.

“Hoje, na fotografia de hoje, os Estados Unidos perderam essa guerra”, declarou. “O Irã já falou muito claramente: ‘Os Estados Unidos não vão ganhar num acordo o que eles não venceram no campo de batalha’.”

Para a analista, o principal erro dos EUA e de Israel foi subestimar a estrutura política e social iraniana. Segundo ela, a estratégia israelense apostava em uma “decapitação” das lideranças do país, mas ignorava a complexidade institucional do Irã.

“Isso é uma compreensão equivocada do que é o Irã. Não é assim que você mata o líder supremo e o país está derrubado”, afirmou.

Susana argumenta que o Irã conseguiu impor custos econômicos importantes aos Estados Unidos e aos aliados árabes da região do Golfo, especialmente por meio da pressão sobre rotas estratégicas e da demonstração de força militar.

“A capacidade balística do Irã surpreendeu o mundo”, disse. “Isso fez com que Trump refizesse a conta.”

Na avaliação da especialista, o presidente norte-americano tenta agora construir uma saída diplomática para reduzir os danos políticos e econômicos do conflito. Ela afirma que o aumento do preço dos combustíveis e o desgaste internacional pressionam Washington.

“O Trump está desesperadamente buscando uma saída dessa guerra”, afirmou. “O estrangulamento econômico feito pelo Irã tornou a vida do Trump um inferno.”

Susana também destacou que, embora Estados Unidos e Israel mantenham interesses estratégicos comuns na região, os objetivos imediatos dos dois governos começaram a divergir. Segundo ela, Benjamin Netanyahu precisa da continuidade do conflito para sobreviver politicamente em Israel.

“O Netanyahu precisa da guerra”, afirmou. “Ele corre o risco de perder apoio político e teme responder aos processos de corrupção que enfrenta.”

A analista afirmou ainda que Israel ampliou os ataques ao Líbano numa tentativa de inviabilizar as negociações entre Estados Unidos e Irã, atualmente mediadas no Catar.

“O que me parece é que Netanyahu está tentando sabotar uma tentativa de acordo de paz”, disse. “Eles fizeram isso no passado e estão fazendo novamente.”

Ao comentar as discussões sobre o programa nuclear iraniano, Susana criticou o que considera uma postura de duplo padrão do Ocidente. Segundo ela, o Irã tem direito ao desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins pacíficos, enquanto Israel mantém um programa nuclear clandestino sem sofrer a mesma pressão internacional.

“Ninguém tem o direito de exigir que o Irã abra mão da sua soberania tecnológica”, declarou. “Israel possui armas nucleares clandestinas e ninguém questiona isso.”

Ela também relembrou que o acordo nuclear firmado durante o governo Barack Obama foi abandonado unilateralmente por Donald Trump em 2018, o que, segundo ela, comprometeu a confiança iraniana nas negociações com Washington.

“Quem saiu do acordo foi o Trump”, afirmou. “O Irã sempre negociou de boa fé.”

Susana avalia que Teerã dificilmente aceitará abrir mão novamente de seus estoques de urânio enriquecido sem receber garantias concretas, como o fim das sanções econômicas impostas ao país desde a Revolução Islâmica de 1979.

“O Irã hoje está numa posição melhor do que estava em 2016”, disse. “Para fazer concessões, precisaria receber algo muito grande em troca.”

A analista também comentou o cenário regional mais amplo, mencionando conflitos internos no Paquistão e as disputas separatistas no Baluchistão. Segundo ela, a instabilidade no Oriente Médio e na Ásia Central tende a se aprofundar diante das tensões geopolíticas entre potências globais e regionais.

Ao final da entrevista, Susana afirmou que as próximas semanas serão decisivas para definir se haverá um acordo entre Irã e Estados Unidos ou uma nova escalada militar impulsionada por Israel.

“Donald Trump entrou nessa roubada e agora não sabe como sair”, concluiu.

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