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“Retirar verba das universidades para engordar emendas é um absurdo”, diz reitor da UFRJ

Reitor Roberto Medronho afirma que recomposição orçamentária é essencial para evitar colapso do funcionamento das universidades federais

Roberto Medronho, reitor da UFRJ (Foto: Brasil 247)

247 - A recomposição integral do orçamento das instituições federais de ensino superior foi recebida como um alívio necessário, mas ainda insuficiente, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O reitor da instituição, Roberto Medronho, afirmou que a decisão do governo federal corrige um erro grave cometido durante a tramitação do Orçamento no Congresso Nacional, que havia retirado recursos essenciais do ensino superior para ampliar emendas parlamentares.

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Medronho avaliou que a recomposição anunciada pelo governo representa um passo fundamental para garantir o funcionamento cotidiano das universidades, mas alertou que a situação segue frágil. “É um absurdo o Congresso retirar verba de uma das instituições federais de ensino superior, que têm a educação, a ciência, tecnologia e inovação, para fazer engordar as emendas parlamentares”, afirmou o reitor. 

O Governo do Brasil publicou nesta terça-feira (20/1) a Portaria GM/MPO nº 12/2026, que estabelece a recomposição integral do orçamento de 2026 destinado às instituições federais de ensino, em um investimento total de R$ 977 milhões. Do montante, R$ 332 milhões serão destinados ao custeio das universidades federais e R$ 156 milhões à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Outros R$ 230 milhões, do orçamento da Capes, serão direcionados à concessão de bolsas de pesquisa.

Segundo Medronho, a recomposição evita um cenário ainda mais crítico, mas não elimina as dificuldades estruturais. “Nós estamos muito felizes, embora esse orçamento a gente saiba que o governo tem aumentado anualmente o orçamento das nossas universidades, mas ainda está aquém das necessidades”, disse. Ele ressaltou que, mesmo com o reforço, será necessária suplementação ao longo do ano para garantir o funcionamento pleno das instituições.

O reitor também demonstrou preocupação com o risco de o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que poderia anular a recomposição. “Se derrubar o veto do presidente Lula, nós vamos ficar numa situação insustentável”, alertou. Para ele, a mobilização política e social será decisiva para evitar novos cortes. “Agora a pressão é com os congressistas para que eles não cometam de novo esse erro”, afirmou.

Medronho destacou que os recursos recompositores são destinados principalmente ao orçamento discricionário, responsável por despesas básicas como água, energia, contratos e manutenção. “Essa verba é para o nosso funcionamento cotidiano”, explicou. Ele ponderou que investimentos em obras seguem vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas alertou que desvios orçamentários para emendas podem comprometer compromissos já assumidos.

Ao defender a centralidade da educação e da ciência para o país, o reitor reforçou que o debate vai além de uma disputa contábil. “Se a gente quiser realmente ser um país soberano, nós temos que investir em ciência, tecnologia, inovação e em educação”, afirmou. Para Medronho, a retirada de recursos dessas áreas compromete o futuro nacional e reflete uma visão de curto prazo no Legislativo. “Que país é esse que os congressistas querem construir?”, questionou.

Na avaliação do reitor da UFRJ, a recomposição anunciada pelo governo federal corrige parcialmente uma distorção grave, mas a sustentabilidade das universidades seguirá dependendo da manutenção dos vetos presidenciais e da garantia de recursos compatíveis com as responsabilidades do sistema federal de ensino superior.

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