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“Sem mobilização, o Congresso pode desidratar o fim da escala 6x1”, alerta Breno Altman

Jornalista defende pressão popular para garantir aprovação da proposta e comenta cenário político nacional

“Sem mobilização, o Congresso pode desidratar o fim da escala 6x1”, alerta Breno Altman (Foto: Brasil247)

247 - A necessidade de mobilização social para garantir o avanço do projeto que põe fim à escala 6x1 foi destacada pelo jornalista Breno Altman ao analisar o cenário político brasileiro. Para ele, o amplo apoio popular à redução da jornada de trabalho pode não ser suficiente diante da dinâmica do Congresso Nacional.

A declaração foi feita durante participação no programa Bom Dia 247, no qual Altman afirmou que a ausência de pressão organizada pode levar à descaracterização da proposta. “Não fiquem esperando que o Congresso aprove sem mobilização. O Congresso pode desidratar o projeto”, alertou. Segundo ele, há risco de que o texto perca seu conteúdo original ao longo da tramitação legislativa.

O jornalista ressaltou que, mesmo com respaldo majoritário da população, a correlação de forças no Parlamento tende a favorecer alterações que atendam a interesses contrários à mudança. Nesse sentido, defendeu que movimentos sociais, sindicatos e forças políticas atuem de forma articulada para manter a integridade da proposta.

Altman enfatizou que a mobilização precisa ir além do apoio passivo, envolvendo comunicação ativa e presença nas ruas. “Tem que ter mobilização, tem que ter propaganda, tem que ter comunicação, tem que ter mobilização, senão esse apoio da opinião pública vai ser fraudado”, afirmou. Na sua avaliação, a pauta pode se consolidar como um dos principais temas do período pré-eleitoral.

Durante a entrevista, o jornalista também comentou o caso do Banco Master, defendendo uma investigação profunda e sem restrições. Para ele, o episódio pode revelar mecanismos de funcionamento do sistema político e financeiro brasileiro. “A investigação do Banco Master deve ser feita e deve ser pressionada para que seja feita até o talo. Doa a quem doer”, declarou.

Altman também alertou para possíveis tentativas de uso político do caso, especialmente por setores da direita, com o objetivo de desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, reiterou que a melhor resposta seria o aprofundamento das apurações. “A esquerda não deve ter medo da investigação do Banco Master”, disse.

Outro tema abordado foi a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que trancou ação penal contra o jornalista em razão de manifestações anti sionistas. Altman classificou o entendimento como um marco jurídico relevante. “A justiça pela primeira vez não recusa de uma maneira cristalina a associação entre antissionismo e antissemitismo”, afirmou, destacando a separação entre opinião política e crime de racismo.

No campo internacional, o jornalista analisou o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Segundo ele, o Irã tem demonstrado capacidade de resistência que surpreende seus adversários. Ao comentar a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou: “O Trump tá já começando a se comportar como cachorro louco”, em referência às reações do governo norte-americano diante da escalada do conflito.

Altman também avaliou que a lógica da guerra é assimétrica, destacando que o Irã pode alcançar seus objetivos mesmo sem uma vitória total. “O Irã, para ganhar a guerra, basta não perdê-la. Os Estados Unidos e Israel, para ganhar a guerra, têm que ter vitória total”, disse.

Por fim, ao comentar a situação de saúde de Jair Bolsonaro, o jornalista afirmou que uma eventual morte do ex-presidente poderia fortalecer politicamente a extrema direita. “Eu considero que a morte do Bolsonaro é um ativo perigoso em favor da extrema direita”, declarou, defendendo que a disputa política se dê no campo democrático e institucional.

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