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“Transição longa para o fim da escala 6x1 seria mortal”, diz Breno Altman

Jornalista afirma que principal disputa sobre PEC será o prazo de adaptação imposto ao empresariado

“Transição longa para o fim da escala 6x1 seria mortal”, diz Breno Altman (Foto: Divulgação)
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247 - O jornalista Breno Altman afirmou, durante participação no programa Bom Dia 247, que a principal disputa em torno da PEC que prevê o fim da escala 6x1 estará nas regras de transição para a implementação da nova jornada de trabalho. Segundo ele, há consenso político crescente pela aprovação da proposta, mas setores empresariais pressionam para adiar seus efeitos práticos.

“Como diz o ditado, o diabo mora nos detalhes. A questão principal não é mais a decisão de aprovar a PEC. A questão está nas regras de transição”, declarou Altman. Para ele, o risco é que a mudança seja aprovada formalmente, mas neutralizada por prazos longos de adaptação.

O jornalista afirmou que representantes do empresariado defendem períodos extensos para implementação da nova escala de trabalho. “Há setores propondo dois anos de adaptação. Alguns chegam a defender dez anos. Essa transição é mortal”, disse. Segundo ele, uma mudança desse tipo perderia impacto imediato sobre a vida dos trabalhadores.

Altman argumentou que o prazo necessário para reorganização das empresas seria muito menor. “Com cento e vinte dias já seria possível haver adaptação. Não é preciso mais do que isso”, afirmou. Para ele, alongar excessivamente a transição equivaleria a esvaziar o objetivo central da proposta.

Além das regras de transição, o jornalista apontou preocupação com possíveis exceções incluídas no texto constitucional. Segundo ele, determinadas categorias possuem jornadas específicas, como pilotos de avião e trabalhadores submetidos ao regime 12x36, mas essas exceções deveriam ser tratadas por legislação ordinária, e não diretamente na Constituição.

“O ideal é que essas regras de exceção sejam estabelecidas por legislação ordinária. Se forem incluídas na PEC, qualquer mudança futura dependerá novamente de maioria constitucional”, explicou.

Altman também alertou para a possibilidade de aprovação de uma mudança parcial, sem redução efetiva da jornada semanal. “Existe um risco menor, mas real, de aprovarem o fim da escala 6x1 mantendo as quarenta e quatro horas semanais”, afirmou. Nesse cenário, segundo ele, os trabalhadores passariam a cumprir jornadas diárias mais longas.

Apesar das pressões, o jornalista demonstrou expectativa positiva quanto à tramitação da proposta no Congresso. “Tenho um moderado otimismo sobre a aprovação da PEC”, disse. Ao mesmo tempo, ressaltou que o resultado final dependerá da capacidade de impedir alterações que esvaziem a medida.

Para Altman, a discussão sobre a jornada de trabalho se tornou um dos temas centrais do debate social e econômico no país. “O debate decisivo será saber se a mudança terá efeito concreto imediato ou se será neutralizada por mecanismos de transição”, afirmou.

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