“Vem aí uma eleição extremamente disputada, cabeça a cabeça”
Breno Altman prevê disputa apertada em 2026 e aponta risco na fragmentação da direita diante de Lula
247 - A avaliação do jornalista e analista político Breno Altman sobre a eleição presidencial de 2026 é de que o país caminha para um cenário de confronto apertado, com possibilidade de repetição do padrão observado em 2022. Na leitura dele, a disputa tende a se organizar a partir de uma direita com mais de um candidato competitivo no primeiro turno, o que pode alterar a dinâmica eleitoral e reduzir a eficácia de uma campanha centrada apenas no combate ao bolsonarismo.
As declarações foram feitas por Altman em entrevista ao Bom Dia 247, da TV 247. Na conversa, ele afirmou: “O que nós vamos ter, provavelmente, é outra eleição extremamente disputada, como a de 2022, extremamente disputada, cabeça a cabeça”.
Direita com mais de um candidato e efeitos no primeiro turno
Segundo Altman, a tendência é que o campo conservador busque se apresentar com “dois grandes candidatos”, podendo chegar a “duas ou três candidaturas” mais relevantes no primeiro turno. Ele resumiu a hipótese como “o cenário da fragmentação da direita” e argumentou que essa configuração pode dificultar a estratégia do governo e do PT.
Na entrevista, o analista disse que, ao contrário do que costuma ser interpretado como vantagem para a esquerda, a multiplicidade de nomes na direita pode ampliar o alcance do eleitorado conservador, com candidaturas capazes de conversar com segmentos distintos. “Nem sempre a divisão do campo de direita é boa pra esquerda e vice-versa também”, afirmou, ao sustentar que o desenho pode favorecer a formação de maioria no segundo turno.
Comparação com o Chile e a formação de maioria no segundo turno
Para explicar o raciocínio, Altman citou a eleição chilena e defendeu que a divisão do campo conservador pode deslocar o eixo do debate e neutralizar uma narrativa que, em outras circunstâncias, poderia organizar o voto desde o primeiro turno. Ele afirmou que, naquele caso, “a direita se dividiu” em várias candidaturas, com perfis distribuídos ao longo do espectro conservador, e que isso teria contribuído para que a campanha deixasse de girar em torno de um enfrentamento simbólico, passando a se concentrar na oposição ao governo.
No programa, Altman disse que a fragmentação “dificultou o discurso da esquerda” e descreveu o efeito político de candidaturas conservadoras que não carregam um rótulo unificado: “Ter candidaturas que não podem ser carimbadas como bolsonaristas não é uma coisa boa”.
Pesquisas, piso eleitoral de Lula e chance de vitória no primeiro turno
Ao comentar o cenário para o presidente Lula, Altman disse que as pesquisas indicariam vantagem, mas sem margem ampla. “A situação do presidente Lula não é desconfortável”, afirmou, antes de acrescentar: “As pesquisas mostram que ele venceria todos os seus adversários no primeiro e no segundo turno. Mas venceria com folga? Não. As pesquisas mostram que a diferença é pequena”.
Ele também descreveu o que chamou de “piso” do presidente no primeiro turno: “O piso do presidente Lula é muito alto, ou seja, ele tem 35% do total de votos, o que significa 42% dos votos válidos no primeiro turno”. A partir disso, Altman avaliou a possibilidade matemática de vitória na primeira rodada, mas indicou baixa probabilidade política: “Existe a possibilidade dele vencer no primeiro turno? Sim, pelas pesquisas”; em seguida, ponderou: “É o mais provável? Não” e completou: “Nunca venceu no primeiro turno, não é? Não vai ser agora que esse cenário se colocará como mais provável”.
Estratégia de campanha e limites do discurso anti bolsonarista
Na entrevista, Altman argumentou que uma disputa com candidatos de direita fora do bolsonarismo direto exigiria reposicionamento do campo governista. Ele afirmou: “Eu acho que o PT tem que sair do discurso, o presidente Lula tem que sair do discurso de que ele representa a luta contra o bolsonarismo” e concluiu: “Esse discurso é insuficiente se tiver que enfrentar uma candidatura como a do Ratinho Júnior”.
Como alternativa, Altman disse ver sinais de mudança de orientação e mencionou a possibilidade de uma campanha com conteúdo voltado a enfrentamento político mais amplo: “Apareceu recentemente numa matéria, se eu não me engano, da Folha de São Paulo, de que o discurso que o presidente apresentará na disputa eleitoral será um discurso anti sistema”. Ao explicar o conceito, definiu: “O que que é um discurso anti sistema? Um conjunto de bandeiras que propõe a mudança profunda do sistema político e econômico do país”.
Disputa apertada como horizonte mais provável
Ao retomar a síntese do cenário, Altman indicou que, mesmo com vantagem inicial de Lula nas pesquisas, a eleição deve se organizar como confronto de margens estreitas, com peso das alianças e das estratégias no primeiro turno e convergência posterior do campo conservador. Na formulação apresentada no Bom Dia 247, o quadro mais provável é o de uma corrida longa até o segundo turno e resultado dependente de variações pequenas no eleitorado: “O que nós vamos ter, provavelmente, é outra eleição extremamente disputada, como a de 2022, extremamente disputada, cabeça a cabeça”.


