Cozinheira que trabalhou para Neymar relatou jornadas de até 16 horas por dia
Trabalhadora recebeu auxílio-doença do INSS após relatar problemas de saúde decorrentes da rotina intensa na mansão do jogador no Rio
247 - Uma cozinheira que trabalhou na mansão do atacante Neymar Jr., em Mangaratiba (RJ), relatou ter cumprido jornadas de até 16 horas diárias e acabou recebendo auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após apresentar problemas de saúde. A funcionária afirma que desenvolveu lesões na coluna e inflamação no quadril em razão do esforço físico exigido durante o trabalho, informa Manoela Alcântara, do Metrópoles.
A trabalhadora foi afastada das atividades em novembro do ano passado após apresentar diversos atestados médicos. O benefício por incapacidade temporária foi concedido por aproximadamente 14 dias. Em comunicado oficial, o INSS informou: “O início do benefício foi fixado em 11/12/2025 e a cessação será em 25/12/2025. Caso não se sinta apto para o trabalho ou atividade habitual, a partir de 14/01/2026, poderá pedir novo benefício pelo Meu INSS ou pela Central 135. O tempo total em benefício(s) por análise documental não poderá ultrapassar 90 dias”.
A cozinheira atuou entre julho e novembro na residência do jogador, conhecida como Casa Hotel Portobello, além de um condomínio vizinho. O contrato previa expediente das 7h às 17h, de segunda a quinta-feira, e até 16h às sextas-feiras. Segundo a ação judicial, no entanto, a jornada frequentemente ultrapassava esses limites, chegando a mais de 14 horas diárias.
A trabalhadora afirma que, em algumas ocasiões, permaneceu em atividade até as 23h e até a meia-noite, sendo responsável por preparar refeições do café da manhã ao jantar para o atleta e seus convidados. Conforme o processo, ela chegou a cozinhar para até 150 pessoas diariamente.
Embora tenha sido contratada por uma empresa terceirizada, a cozinheira incluiu Neymar na ação como tomador de serviços, o que pode implicar responsabilização subsidiária ou solidária na Justiça do Trabalho. O caso tramita na 1ª Vara do Trabalho de Itaguaí (RJ).
A defesa da profissional sustenta que o esforço físico, especialmente ao carregar carnes e utensílios pesados, contribuiu para o surgimento dos problemas de saúde. A trabalhadora afirma ter realizado consultas e exames médicos para diagnóstico das lesões e pede o pagamento de pensão.
Segundo a ação, o salário registrado era de cerca de R$ 4 mil mensais, mas a cozinheira afirma que recebia, em média, R$ 7,5 mil com horas extras e adicionais. O processo também aponta que, apesar de contratada para atuar apenas durante a semana, ela teria trabalhado em fins de semana, especialmente aos domingos.
A petição ainda destaca possíveis irregularidades no intervalo intrajornada. “A reclamante não usufruiu regularmente do intervalo intrajornada. Durante todo o pacto laboral, a reclamante era obrigada pela reclamada a registrar o ponto relativo ao intervalo intrajornada, embora permanecesse em efetivo labor nesse período”, afirma a defesa.
Com base nas alegações, a cozinheira solicita o pagamento de cerca de R$ 262 mil, incluindo verbas rescisórias, FGTS, horas extras, indenização por danos morais, despesas médicas e pensão. A rescisão indireta do contrato foi registrada em 28 de fevereiro deste ano, encerrando o vínculo entre as partes.
Procurada pelo Metrópoles, a assessoria de Neymar não se manifestou até a última atualização.

