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Organizações dos EUA alertam estrangeiros sobre riscos de violações de direitos durante Copa do Mundo

Mais de 120 entidades citam possíveis detenções, deportações e restrições a visitantes no país

O presidente dos EUA, Donald Trump, com troféu da Copa do Mundo - 22/8/2025 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

247 - Mais de 120 organizações dos Estados Unidos divulgaram um alerta direcionado a estrangeiros que pretendem viajar ao país durante a Copa do Mundo de 2026, indicando riscos de violações de direitos humanos. Entre as entidades está a União Americana pelas Liberdades Civis. As informações são da RFI.

O documento, classificado como um "aviso aos viajantes", aponta a possibilidade de negativa arbitrária de entrada no país, detenções sem garantias legais, deportações e tratamento considerado inadequado a visitantes. O cenário descrito está associado à política migratória violenta adotada pelo governo do presidente Donald Trump.

Segundo o comunicado, torcedores, atletas, jornalistas e outros profissionais podem ser afetados por medidas mais rígidas na área migratória. As organizações afirmam que a atual política amplia riscos de violações de direitos, inclusive em situações envolvendo visitantes com vínculo direto com o evento esportivo.

Pressão sobre a Fifa

As entidades solicitaram à Federação Internacional de Futebol que utilize sua influência institucional para cobrar mudanças nas políticas migratórias e exigir garantias de proteção aos participantes da competição. O apelo inclui a adoção de medidas que assegurem condições seguras para a realização do torneio.

O diretor do programa de direitos humanos da União Americana pelas Liberdades Civis, Jamil Dakwar, defendeu a necessidade de atuação da Fifa para garantir segurança aos visitantes. Ele afirmou que a entidade deve buscar compromissos concretos para reduzir riscos durante o evento.

Riscos apontados no alerta

O documento menciona situações como inspeção de dispositivos eletrônicos, análise de redes sociais, detenções prolongadas e deportações. Também são citadas possíveis práticas como fiscalização baseada em perfis raciais e aplicação considerada violenta de leis migratórias.

As organizações alertam ainda para a possibilidade de tratamento cruel ou degradante durante detenções, além de riscos em unidades sob responsabilidade do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na sigla em inglês). O texto menciona inclusive a possibilidade de morte sob custódia.

Resposta da Fifa

Em resposta, a Fifa afirmou que seus estatutos preveem o respeito e a promoção dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente. A entidade destacou a criação de mecanismos voltados à proteção desses direitos, incluindo um grupo consultivo e um sistema de reclamações.

A organização também mencionou a adoção de medidas específicas relacionadas à Copa do Mundo de 2026, com foco na segurança e no acompanhamento das condições enfrentadas por participantes e espectadores.

Contexto do torneio

A preocupação das entidades ocorre em um cenário em que a maior parte dos jogos será realizada nos Estados Unidos. Dos 104 confrontos previstos, 78 acontecerão no país, que sediará o torneio ao lado de Canadá e México.

Há apreensão em relação a torcedores de países como Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim, que podem enfrentar dificuldades adicionais para entrar no território estadunidense. Apesar de o governo afirmar que restrições não afetam vistos de turismo, não há garantia de concessão.

Relatos recentes de operações migratórias e episódios de violência envolvendo autoridades também contribuem para o clima de preocupação. Em janeiro, o assassinato de dois manifestantes em Minneapolis ampliou o debate sobre o uso da força por agentes federais.

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