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Fala polêmica de Marcos Pereira reacende debate sobre o fim da escala 6x1 nas redes

Presidente do Republicanos disse que a proposta criaria “ócio demais” entre os trabalhadores. Vídeo de Lula em 1988 volta a circular. Veja

Marcos Pereira e Lula (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Reprodução/YouTube/Roda Viva)

247 - A declaração do presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), contrária ao avanço da proposta que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1 provocou reação nas redes sociais e reabriu o debate sobre a redução da carga horária no Brasil. A fala ocorreu em meio à discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema e ganhou ampla repercussão.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Marcos Pereira afirmou ter levado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), suas preocupações sobre a tramitação da proposta. Segundo o parlamentar, é inadequado votar o tema em ano eleitoral, além de haver possíveis impactos negativos para a economia brasileira. De acordo com Pereira, ele externou diretamente sua posição a Motta e ouviu do presidente da Câmara que a condução da PEC também tem como objetivo assegurar protagonismo ao Legislativo, diante da possibilidade de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um projeto de lei sobre o assunto.

Ao comentar a demanda por mais tempo de lazer, o dirigente partidário declarou: “Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal”. Em seguida, acrescentou: “O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”.

As declarações foram amplamente criticadas nas redes sociais, onde internautas apontaram estigmatização das camadas mais pobres e questionaram a associação entre redução da jornada e aumento de problemas sociais.

No mesmo contexto, voltou a circular um vídeo de 1988 em que o presidente Lula (PT), então deputado federal, defendia a redução da jornada de trabalho e a valorização do salário mínimo. A gravação é de entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Na ocasião, Lula afirmou: “Eu defendo que o salário mínimo seja dobrado. Algumas pessoas falam ‘puxa vida, mas se dobrar o Brasil não aguenta’. O Brasil aguenta. O que não aguenta é o desgraçado viver com 31 mil cruzados por mês. Esse não aguenta”.

O então dirigente sindical também criticou a postura de parte do empresariado brasileiro: “Os empresários querem acumular dinheiro até a 10ª geração. Eles não se lembram que quem está vivo precisa comer, que o filho do trabalhador precisa tomar café da manhã, comer quatro refeições por dia. O que queremos é criar na cabeça do empresariado a ideia de que eles, que defendem o sistema capitalista… Qual é a lógica do sistema capitalista? Eu contrato a mão de obra, pago um salário, esse salário vai comprar algum produto, vai gerar mais emprego, eu pago mais salário… Não é essa a roda viva? Ora, para que essa Roda Viva tenha a sequência que eles querem, é preciso pagar mais, até para criar uma sociedade de consumo aqui no Brasil”.

No mesmo programa, Lula afirmou que o empresariado tinha postura contraditória: “Nesse país, a cabeça do empresariado é tão arcaica. Na hora de ganhar dinheiro, o empresário brasileiro pensa como um empresário moderno do século XXI. Ele é todo moderno. Na hora de pagar, ele pensa como um empresário arcaico do século passado”. Ele acrescentou: “Toda vez que reivindica um benefício nesse país, se diz que o benefício vai causar desemprego. Será que nós, os trabalhadores, somos imbecis de reivindicar alguma coisa que prejudique a gente?”.

Ao mencionar experiências internacionais, Lula declarou: “Mas se você pegar o que acontecia na Europa há 30 anos, quando os trabalhadores começaram a brigar pela redução da jornada de trabalho, vocês iriam ver que os empresários da época diziam o mesmo: ‘não pode reduzir porque o trabalhador não vai ficar em casa, ele vai beber, é um ócio muito grande’. Que bobagem”.

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