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STJ condena ex-governador a mais de 25 anos de prisão

Tribunal aponta esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no Acre. Defesa se manifesta

Gladson Camelí (Foto: Diego Gurgel/Secom)

247 - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou o ex-governador do Acre Gladson Camelí (PP) a 25 anos e nove meses de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e peculato. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o esquema investigado provocou prejuízo estimado em pelo menos R$ 150 milhões aos cofres públicos. A decisão do STJ ainda não leva ao cumprimento imediato da pena, porque a defesa poderá apresentar recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) após a publicação do acórdão do julgamento. As informações foram publicadas pelo portal G1 nesta quarta-feira (6).

De acordo com a acusação, Camelí liderou um esquema de fraudes em contratos públicos ligados a obras no Acre. A PGR sustentou que o grupo manipulava licitações e desviava recursos públicos por meio de contratos irregulares e operações financeiras destinadas a ocultar a origem do dinheiro.

O julgamento ocorreu no Superior Tribunal de Justiça, mas ainda não existe prazo definido para a divulgação oficial do acórdão. Somente após essa etapa a defesa poderá protocolar recurso contra a condenação.

Os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti afirmaram que recorrerão da decisão. Em nota, os defensores alegaram que o julgamento ignorou entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a origem das investigações.

A defesa também contestou o procedimento adotado durante o julgamento. “É importante destacar que o julgamento do STJ ocorreu sem que a defesa tivesse a oportunidade de se manifestar e exercer plenamente o contraditório, motivo pelo qual a defesa tem plena convicção de que a decisão do STJ será anulada e a inocência de Gladson Cameli será prontamente declarada”, afirmaram os advogados.

O próprio ex-governador comentou a condenação e informou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal. “Compreendo o rito jurídico da Corte e é com base nesse respeito que, no exercício democrático do direito, recorrerei da decisão à instância superior — o Supremo Tribunal Federal —, prerrogativa que me é assegurada pela legislação brasileira em vigor”, declarou Camelí.

O político também afirmou que mantém confiança no resultado final do processo judicial. “Ressalto que essa etapa no STJ não altera de forma alguma, a minha confiança no resultado final da Justiça, apenas renova a minha disposição em representar os acreanos. O eleitor do nosso estado merece ter sua escolha no voto respeitada. Ninguém pode ganhar no tapetão”.

A condenação amplia a repercussão política do caso no Acre e coloca o ex-governador no centro de uma das maiores investigações sobre corrupção envolvendo contratos públicos no estado.

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