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Há 97 anos, comunistas latino-americanos se reuniam em Buenos Aires para debater o combate ao imperialismo

Primeira conferência continental das organizações comunistas discutiu a questão agrária, a luta dos trabalhadores e os caminhos da emancipação

Há 97 anos, comunistas latino-americanos se reuniam em Buenos Aires para debater o combate ao imperialismo (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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247 – Em 1º de junho de 1929, Buenos Aires tornou-se o centro de um dos mais importantes encontros políticos da história latino-americana. Na capital argentina, teve início a Primeira Conferência Comunista Latino-Americana, reunião que buscou articular partidos comunistas, sindicatos e organizações operárias do continente em torno de uma agenda comum de transformação social.

O encontro ocorreu em um período marcado pela expansão dos movimentos operários, pelo fortalecimento das ideias socialistas e pela crescente influência da Revolução Russa de 1917 sobre trabalhadores e intelectuais de diversos países.

A conferência reuniu representantes de partidos comunistas e organizações de esquerda de praticamente toda a América Latina, promovendo um debate inédito sobre os desafios específicos enfrentados pelos povos da região.

A América Latina sob domínio das oligarquias

Na década de 1920, a maior parte dos países latino-americanos era governada por elites agrárias e grupos ligados aos interesses do capital estrangeiro, especialmente britânico e norte-americano.

A concentração fundiária, a exploração dos trabalhadores rurais e urbanos e a dependência econômica eram questões centrais para os movimentos populares.

Os participantes da conferência argumentavam que a realidade latino-americana exigia estratégias próprias de luta política, capazes de enfrentar simultaneamente o poder das oligarquias locais e a influência das grandes potências econômicas.

O combate ao imperialismo tornou-se um dos principais eixos do encontro.

A questão agrária no centro dos debates

Entre os temas mais discutidos estava a reforma agrária. Em praticamente todos os países da região, grandes extensões de terra permaneciam concentradas nas mãos de poucos proprietários.

Os delegados defenderam a redistribuição das terras, a proteção aos camponeses e a construção de modelos de desenvolvimento voltados às necessidades nacionais.

A análise apresentada pelos participantes apontava que a questão agrária era inseparável da luta pela soberania econômica e política dos países latino-americanos.

Trabalhadores e unidade continental

Outro objetivo da conferência era fortalecer a articulação entre organizações operárias de diferentes países.

A expansão da industrialização em algumas regiões do continente havia criado uma classe trabalhadora urbana cada vez mais numerosa. Greves e mobilizações tornavam-se frequentes, especialmente em setores estratégicos como mineração, ferrovias e portos.

A reunião buscou estabelecer mecanismos de cooperação internacional entre sindicatos e movimentos populares, antecipando debates que continuariam presentes ao longo do século XX.

Um legado para a esquerda latino-americana

Embora os contextos nacionais fossem distintos, a conferência consolidou uma leitura comum sobre os problemas estruturais da América Latina: dependência econômica, concentração de renda, domínio oligárquico e influência estrangeira.

Muitas das formulações debatidas em Buenos Aires influenciaram gerações posteriores de lideranças políticas, sindicais e intelectuais em diversos países.

Quase um século depois, os temas discutidos naquele encontro continuam presentes no debate público latino-americano, especialmente em questões relacionadas à soberania nacional, integração regional e combate às desigualdades sociais.

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