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Chris Hedges diz que sequestro de Maduro consolida os EUA como “Estado gangster”

Jornalista afirma que violação do direito internacional cria um mundo de caos e violência permanente

O presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, D.C. - 22/11/2025 (Foto: REUTERS/Aaron Schwartz)

247 – O jornalista e escritor Chris Hedges publicou uma dura crítica à ofensiva atribuída aos Estados Unidos na Venezuela, afirmando que o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa consolida o papel de Washington como um “Estado gangster”. Em sua análise, Hedges sustenta que a escalada militar e a violação do direito internacional não produzem estabilidade, mas sim um ciclo de violência que tende a se expandir e desorganizar ainda mais a ordem global.

A posição de Hedges parte de uma acusação direta: para ele, a ação na Venezuela evidencia uma lógica de força semelhante à aplicada por Washington em outras guerras recentes, com consequências devastadoras. “O sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa solidifica o papel dos Estados Unidos como um Estado gangster”, afirmou.

Hedges insiste que a violência não é instrumento de paz, mas de multiplicação do conflito. “A violência não gera paz. Ela gera violência”, escreveu, em uma formulação que resume seu argumento central: intervenções armadas, quando rompem normas internacionais, corroem qualquer possibilidade de estabilidade real e precipitam o mundo para um cenário de caos.

Na avaliação do jornalista, a destruição — ou “imolação” — do direito internacional e humanitário cria um planeta sem regras. “A imolação do direito internacional e humanitário, como os EUA e Israel fizeram em Gaza, e como ocorreu em Caracas, gera um mundo sem leis”, disse. Ele completa a ideia com um alerta sombrio: esse tipo de prática abre espaço para a proliferação de Estados falidos, senhores da guerra, potências imperiais fora de controle e uma realidade marcada por violência e caos permanentes.

Ao comparar a crise venezuelana a outros episódios recentes, Hedges recorre a um conjunto de precedentes que, para ele, deveriam ter ensinado uma lição básica às potências militares: a mudança de regime tende a escapar ao controle e produzir consequências monstruosas. “Se há uma lição que deveríamos ter aprendido no Afeganistão, Iraque, Síria e Líbia, é que a mudança de regime gera monstros frankensteinianos da nossa própria criação”, escreveu.

Hedges também rejeita a ideia de que a operação na Venezuela possa ser consolidada sem resistência. Em sua leitura, as forças armadas e de segurança venezuelanas não aceitarão passivamente o sequestro do presidente nem a dominação externa, sobretudo se, como ele sugere, houver uma motivação econômica similar à do Iraque: o controle de grandes reservas de petróleo. “Os militares e as forças de segurança venezuelanas não aceitarão mais o sequestro de seu presidente e a dominação dos EUA — feito, como no Iraque, para tomar vastas reservas de petróleo — do que aceitaram as forças de segurança e os militares iraquianos, ou o Talibã”, afirmou.

O jornalista conclui com uma previsão direta e pessimista sobre o desfecho do conflito. Para ele, o caminho escolhido tende a ser desastroso para todos os envolvidos, inclusive para os próprios Estados Unidos. “Isso não vai acabar bem para ninguém, incluindo os EUA”, alertou.

A declaração de Chris Hedges reforça uma crítica mais ampla às políticas de intervenção e mudança de regime, especialmente quando combinadas com violações abertas da legalidade internacional. Ao conectar a crise venezuelana a guerras recentes no Oriente Médio e na Ásia, ele sugere que o cenário pode evoluir para um conflito prolongado e imprevisível, com alto custo humano e político — e com consequências que podem se espalhar para além da Venezuela.

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