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Greenwald alerta que EUA estão à beira de nova guerra contra o Irã sem explicação clara de Trump

Jornalista aponta escalada militar inédita no Oriente Médio, aproximação com Benjamin Netanyahu e ausência de debate público nos Estados Unidos

Glenn Greenwald (Foto: Lula Marques)

247 – Os Estados Unidos estão à beira de uma nova e potencialmente devastadora guerra contra o Irã, sem que o presidente Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — tenha apresentado ao público americano uma justificativa clara, consistente e formal para essa escalada. A avaliação é do jornalista Glenn Greenwald, em artigo publicado na plataforma Substack, no qual ele descreve um maciço e acelerado envio de forças militares norte-americanas para a região do Golfo Pérsico.

Segundo Greenwald, Trump passou os últimos dois meses ordenando um amplo reforço militar nas proximidades do território iraniano, incluindo porta-aviões e outros ativos estratégicos capazes de viabilizar, no mínimo, uma campanha aérea altamente destrutiva contra todo o país. O autor observa que o volume de forças mobilizadas configura a maior presença militar dos EUA no Oriente Médio desde 2003, quando Washington se preparava para invadir o Iraque.

Escalada militar e ausência de justificativa pública

Um dos pontos centrais do artigo é a crítica à falta de explicações públicas por parte de Trump. Greenwald afirma que, “fora algumas banalidades improvisadas”, o presidente praticamente não tentou apresentar ao povo americano um argumento estruturado sobre a necessidade de uma nova guerra de grandes proporções.

Para o jornalista, a condução atual lembra outros momentos em que os EUA avançaram para conflitos militares com debate público reduzido e participação quase inexistente do Congresso. Ele sustenta que, caso se concretize, um confronto com o Irã será “muito mais arriscado, perigoso e complexo” do que operações recentes conduzidas por Washington.

Greenwald também chama atenção para a contradição estratégica dos EUA, que há duas décadas afirmam a necessidade de reduzir sua presença no Oriente Médio e “pivotar para a Ásia”, diante da ascensão da China. Apesar desse discurso reiterado por diferentes administrações, Trump teria reunido, agora, a maior estrutura militar na região desde a invasão do Iraque.

Netanyahu e a aproximação estratégica

O artigo destaca ainda a coincidência temporal entre a intensificação da retórica de guerra contra o Irã e mais uma visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à Casa Branca. Greenwald afirma que não é exagero dizer que, há décadas, Netanyahu busca envolver os Estados Unidos em uma guerra de mudança de regime contra o Irã.

Segundo ele, o “sonho” do premiê israelense sempre foi eliminar o principal adversário estratégico de Tel Aviv na região, e esse objetivo estaria mais próximo de se concretizar do que nunca.

Greenwald observa que Trump sustenta publicamente uma postura de “dissuasão”, alegando desejar um acordo com Teerã para evitar a guerra. Ao mesmo tempo, porém, o presidente norte-americano teria declarado que, se as negociações não produzirem os termos desejados por Washington, os EUA imporão “danos massivos” ao país persa.

O precedente recente e a questão nuclear

O jornalista relembra que, em episódios anteriores envolvendo o Irã, Trump afirmou que os Estados Unidos teriam “obliterado total e completamente” o programa nuclear iraniano. Para Greenwald, essa declaração enfraquece o argumento de que uma nova ofensiva militar seria necessária para impedir Teerã de desenvolver armas nucleares.

Ele questiona como o Irã poderia estar próximo de produzir armamentos atômicos se, como Trump garantiu, suas instalações nucleares foram destruídas de forma definitiva. Para o autor, essa contradição revela fragilidade na narrativa oficial.

Greenwald também critica o uso recorrente de justificativas baseadas em “direitos humanos” para legitimar intervenções militares. Ele argumenta que, historicamente, a política externa dos EUA apoiou regimes autoritários quando isso atendia a seus interesses estratégicos, o que tornaria esse discurso seletivo e instrumental.

Mísseis balísticos e interesses regionais

Outro ponto abordado no texto é a justificativa relacionada aos mísseis balísticos iranianos. Greenwald afirma que esses armamentos convencionais não teriam alcance para atingir o território continental dos EUA e que qualquer país tem o direito legal de desenvolver seu arsenal convencional, especialmente quando se sente ameaçado.

Segundo ele, caso Washington decida ir à guerra para forçar o Irã a limitar ou destruir seus mísseis, isso indicaria que os EUA estariam assumindo riscos militares principalmente para defender interesses estratégicos de Israel na região.

Greenwald menciona ainda a frequência das visitas de Netanyahu à Casa Branca — sete vezes em um ano, segundo o texto — como um dado político relevante no contexto da atual escalada.

Risco de novo conflito prolongado

Ao longo do artigo, o jornalista sustenta que a probabilidade de guerra aumenta a cada novo envio de ativos militares para a região. Ele cita reportagens da imprensa norte-americana indicando que a administração Trump estaria pronta para lançar uma ofensiva militar prolongada contra o Irã.

Para Greenwald, a ausência de um debate público robusto, de deliberação no Congresso e de uma justificativa clara torna o momento particularmente grave. A mobilização atual, segundo ele, não seria meramente simbólica, mas indicaria preparação concreta para um conflito de grandes proporções.

A análise conclui que os Estados Unidos parecem incapazes — ou sem disposição política — de reduzir sua presença militar no Oriente Médio, mesmo diante de reiteradas promessas de reorientação estratégica. Nesse cenário, a possibilidade de uma nova guerra contra o Irã coloca a região e o mundo diante de um dos momentos mais tensos dos últimos anos.

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