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Adani e Embraer planejam fabricar jatos E175 na Índia

A iniciativa busca fortalecer a indústria aeroespacial local e ampliar a conectividade aérea no país asiático

Adani e a Embraer (Foto: Amit Dave/Reuters I Roosevelt Cassio/Reuters)

247 - A Adani Defence & Aerospace e a Embraer anunciaram a consolidação de um acordo ampliado para viabilizar a produção do jato regional E175 na Índia. O entendimento foi formalizado na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, reforçando a cooperação industrial entre os dois países.

As informações constam em comunicado divulgado pelas empresas, detalhando que o novo Memorando de Entendimento (MoU) amplia compromisso firmado anteriormente, em janeiro de 2026, e integra o programa indiano de Aeronaves de Transporte Regional (RTA). A iniciativa busca fortalecer a indústria aeroespacial local e ampliar a conectividade aérea no país asiático.

O documento foi assinado por Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, e por Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace. A parceria tem como objetivo estruturar a instalação de uma linha de montagem final do E175 na Índia, além de desenvolver capacidades industriais e operacionais associadas ao projeto.

Mercado em expansão e demanda projetada

A Índia figura entre os mercados de aviação que mais crescem no mundo em número de passageiros. A estimativa é de que o país necessite de pelo menos 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nos próximos 20 anos, impulsionado pelo aumento da conectividade regional e pelo uso de jatos menores e mais eficientes.

Com capacidade para até 88 passageiros, o E175 é apontado como alternativa adequada para atender cidades de pequeno e médio porte ainda pouco exploradas por aeronaves maiores. O modelo já opera em rotas regionais de alta frequência em diferentes mercados internacionais.

As empresas informaram que já trabalham em todas as frentes previstas no MoU, incluindo fabricação de aeronaves, desenvolvimento da cadeia de suprimentos, serviços de pós-venda, treinamento de pilotos e obtenção de encomendas que sustentem a futura linha de montagem.

“A aviação regional é um dos pilares da expansão econômica. Com iniciativas como o programa UDAN ampliando a conectividade aérea nas cidades de médio e pequeno porte, é essencial fortalecer a aviação regional no país”, afirmou Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace. “Essa parceria também reforça as relações estratégicas entre Índia e Brasil, com a sinergia entre capacidades complementares dos dois países.”

O presidente e CEO da Adani Defence & Aerospace, Ashish Rajvanshi, destacou o impacto estrutural da iniciativa. “Estamos estruturando o segmento de jatos regionais na Índia. Esse é um passo importante rumo a uma aviação autossuficiente, capaz de reduzir as distâncias entre áreas urbanas e rurais, gerar empregos de alta qualificação e fortalecer a posição do país na indústria aeroespacial global”, declarou.

Francisco Gomes Neto ressaltou a adequação do modelo ao mercado indiano. “O E175 tem um histórico reconhecido de operação em rotas regionais de alta frequência em diversos mercados, e a Índia é um dos principais países em expansão nesse segmento”, afirmou. “Esta assinatura representa um marco importante para a parceria, à medida que seguimos trabalhando em todos os aspectos relacionados à implantação da linha de montagem final no país, incluindo a obtenção de encomendas.”

Conectividade regional e programa UDAN

O projeto está alinhado ao programa UDAN, iniciativa do governo indiano voltada à ampliação do acesso ao transporte aéreo em cidades médias e pequenas. Segundo as empresas, o E175 pode viabilizar novas rotas, ampliar a malha aérea regional e garantir operações eficientes e confiáveis em mercados ainda pouco atendidos.

A Adani Defence & Aerospace é descrita como a maior empresa privada integrada dos setores de defesa e aeroespacial da Índia, com atuação em fabricação de aeronaves, sistemas não tripulados, aviônicos, armamentos e serviços de manutenção (MRO). A companhia também investe em treinamento aeronáutico e no fortalecimento da cadeia de valor da aviação no país, alinhada à política de autossuficiência industrial.

A Embraer, por sua vez, mantém presença consolidada na Índia, com cerca de 50 aeronaves e 11 modelos em operação nos segmentos comercial, executivo e de defesa. Fundada em 1969, a fabricante brasileira já entregou mais de 9 mil aeronaves no mundo e é líder global em jatos comerciais com até 150 assentos.

O avanço do acordo sinaliza um novo estágio da cooperação industrial entre Brasil e Índia no setor aeroespacial, com foco em produção local, transferência de tecnologia e fortalecimento da aviação regional em um dos mercados mais dinâmicos do mundo.

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