Ministro não cita Terrabras, mas diz que Brasil não será "exportador de matéria-prima"
Governo defende utilizar minerais críticos como base para o fortalecimento da indústria, diz ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
247 - O governo brasileiro pretende utilizar suas reservas de minerais críticos como base para o fortalecimento da indústria nacional, evitando a simples exportação de matéria-prima e priorizando a agregação de valor no país, estratégia que busca impulsionar o desenvolvimento econômico e a soberania produtiva, segundo declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, nesta sexta-feira (24).
O ministro destacou que o tema deixou de ser apenas econômico e passou a ocupar posição central no cenário geopolítico global, reforçando a necessidade de políticas industriais voltadas ao aproveitamento interno desses recursos estratégicos. Ele afirmou que o governo trabalha para estruturar propostas que garantam a industrialização desses insumos no país.
Durante a entrevista, Márcio Elias Rosa foi enfático ao rejeitar o modelo baseado na exportação de recursos naturais sem processamento. “É o tema da atualidade. Deixou de ser meramente econômico, comercial, e hoje é um tema geopolítico. O governo quer apresentar propostas e sugestões que, sobretudo, aperfeiçoem o dever de industrialização do mineral crítico no país. Não queremos ser um exportador de matéria-prima. Não vamos cometer o equívoco de imaginar que mineral crítico ou terra rara no país seja objeto de exportação. Não pode ser. Tem que ser de industrialização. É um grande insumo para a indústria”, declarou.
Os chamados minerais críticos são considerados fundamentais para setores estratégicos, como a transição energética, a inovação tecnológica e a segurança econômica. Eles são amplamente utilizados em baterias, energias renováveis e sistemas digitais, além de possuírem oferta concentrada em poucos países, o que amplia sua relevância geopolítica.
Acordos internacionais ampliam cooperação
A estratégia brasileira também inclui o fortalecimento de parcerias internacionais. Durante viagem recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Europa, foram firmados acordos com Espanha e Alemanha voltados à cooperação na cadeia produtiva de minerais críticos. As iniciativas envolvem o Ministério de Minas e Energia do Brasil e órgãos equivalentes nos países europeus, com foco em desenvolvimento tecnológico e industrial.
Esses acordos se somam a entendimentos anteriores assinados com Índia e Coreia do Sul em fevereiro, ampliando a articulação internacional do Brasil no setor.
Ao comentar a relevância desses recursos, o ministro destacou o papel estratégico das reservas nacionais. “[O tema] está associado à nova indústria do mundo, porque aquilo que você pode aproveitar de minerais estratégicos, críticos ou das chamadas terras raras, é fundamental para o desenvolvimento, para a inovação tecnológica. Está associado muito mais à soberania dos países do que a uma questão meramente econômica. É por isso que está todo mundo querendo discutir o assunto. O Brasil talvez tenha a segunda maior reserva de terras raras, minerais críticos ou estratégicos no mundo. Então, temos um ativo muito importante”, afirmou.

