Celso Rocha de Barros questiona se Flávio Bolsonaro, que tem vínculos com o crime, é terrorista
Colunista relaciona senador a personagens investigados por conexões com facções criminosas
247 – O jornalista e colunista Celso Rocha de Barros questionou, em artigo publicado pela Folha de S.Paulo, se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia ser considerado terrorista diante de suas relações políticas e financeiras com personagens ligados a investigações envolvendo organizações criminosas. Ao longo do texto, o autor sustenta que, independentemente da classificação, as suspeitas que cercam aliados e parceiros do parlamentar exigem apuração rigorosa.
No artigo “Flávio Bolsonaro é terrorista?”, Celso cita a proximidade política entre Flávio Bolsonaro e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo o colunista, a Polícia Federal considera Bacellar “o chefe do núcleo político do Comando Vermelho”, uma das maiores facções criminosas do país.
O autor também menciona a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Celso recorda que o senador já se referiu a Vorcaro como “irmão” e destaca que, segundo reportagem da própria Folha publicada em agosto de 2025, o Banco Master mantinha relações próximas com a Reag Investimentos, empresa acusada de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Debate sobre terrorismo
Embora apresente esses vínculos, Celso Rocha de Barros afirma discordar da interpretação do Departamento de Estado dos Estados Unidos que enquadraria o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Para ele, apesar da violência extrema exercida pelas facções, elas não possuem objetivos políticos ou ideológicos comparáveis aos de grupos tradicionalmente classificados como terroristas.
O colunista argumenta que o exemplo mais próximo da definição clássica de terrorismo no Brasil recente seria a tentativa de explosão de um caminhão-tanque nas proximidades do aeroporto de Brasília, na véspera de Natal de 2022. Segundo ele, a ação tinha o objetivo de provocar instabilidade social e favorecer uma ruptura institucional após a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com Celso, os responsáveis pelo atentado buscavam criar um ambiente de caos capaz de estimular a adesão de setores militares a uma tentativa de golpe de Estado. O articulista observa que um dos envolvidos esteve presente no Congresso Nacional em reunião de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro poucos dias antes da ação.
Herança política do bolsonarismo
Ao analisar o papel de Flávio Bolsonaro dentro do campo político bolsonarista, Celso afirma que o senador se tornou o principal herdeiro do movimento liderado por seu pai. Ainda assim, ressalta que hesita em classificá-lo como terrorista.
"Mesmo assim, sou generoso o suficiente para hesitar antes de chamar Flávio Bolsonaro de terrorista", escreve o colunista.
Para ele, a questão central é outra: determinar se líderes bolsonaristas mantiveram relações com estruturas criminosas que resultaram em prejuízos bilionários aos cofres públicos.
Acusações envolvendo Banco Master e BRB
O artigo também aborda investigações relacionadas ao Banco Master e a governos alinhados ao bolsonarismo. Celso afirma que novas descobertas da Polícia Federal indicariam que recursos de aposentados desviados no Rio de Janeiro foram transferidos para a instituição financeira, alcançando valores próximos de R$ 4 bilhões.
O colunista menciona ainda o acordo firmado para cobrir um rombo de até R$ 6,5 bilhões envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e operações relacionadas ao Master, tema que vem sendo debatido nos meios político e financeiro.
Na avaliação do articulista, a controvérsia em torno da classificação de terrorismo não deve servir para desviar a atenção de um escândalo que, segundo seus cálculos, pode envolver mais de R$ 10 bilhões em recursos públicos.
"Discordo de quem acha que Flávio Bolsonaro, o CV e o PCC são terroristas, mas respeito os argumentos de quem acha que são", afirma Celso. Em seguida, acrescenta: "O que é indiscutível é que não podemos deixar Flávio usar essa polêmica para abafar um escândalo que tirou de cofres públicos administrados por bolsonaristas um mínimo de R$ 10 bilhões".
O colunista conclui defendendo que as suspeitas envolvendo personagens próximos ao bolsonarismo devem permanecer sob escrutínio público, independentemente da disputa semântica sobre o conceito de terrorismo.



